Ensaio Total: KIA EV4 Fastback
A KIA lançou recentemente em Portugal o novo EV4, a sua proposta 100% elétrica para o segmento C e que é, igualmente, o primeiro modelo alimentado a bateria que a marca sul coreana produz na Europa. Bem, na verdade, nem todos serão produzidos na Europa. Isto porque o novo EV4 está disponível em duas versões de carroçaria distintas, Hatchback, produzida em Zilina, na Eslováquia, e Fastback, a que já tive oportunidade de conduzir, fabricada em Gwangmyeong, na Coreia do Sul.
Ambos são construídos sobre a plataforma E-GMP e ainda que partilhem também a mais recente linguagem de design da marca, o Fastback é garantidamente a versão mais polarizadora de opiniões, com linhas mais arrojadas e uma secção traseira que poderá não agradar aos de gosto mais conservador. A KIA sabe-o e por isso assume o foco do EV4 de silhueta hatchback no mercado europeu, fazendo mira a concorrentes 100% elétricos como o Opel Astra, o Citroën C4 e o Cupra Born.


Já este Fastback que tive oportunidade de conduzir – 30 centímetros mais comprido e 5 centímetros mais baixo do que o EV4 Hatchback – tem como principais rivais modelos como o Tesla Model 3 e o BYD Seal, quase assumindo um posicionamento de segmento superior.
Boa habitabilidade em ambos os EV4
O maior dinamismo das linhas fastback tem, na verdade, pouca influência no espaço oferecido a bordo, com os passageiros do banco de trás a disporem de cerca de menos 2 centímetros de espaço livre para a cabeça. Porém, a sensação de espaço é inequívoca, principalmente para as pernas, igualmente bem suportadas por um assento bem desenhado. As janelas abrem quase na sua totalidade e as portas grandes garantem um bom acesso ao banco traseiro. O lugar central é bastante menos cómodo e desaconselhável a passageiros com mais de 1,8 metros.

Já a bagageira dispõe de 490 litros de volume, mais espaçosa aqui, mas com pior acesso do que a do EV4 Hatchback, cujo volume é de 435 litros. A abertura é limitada pelo desenho três volumes da carroçaria, impedindo a colocação de objetos mais volumosos. Debaixo do piso há, no entanto, espaço para guardar os cabos de carregamento. Tratando-se de um modelo de tração dianteira, não há espaço adicional debaixo do capot para um segundo compartimento de carga.
O ambiente interior é dominado pela combinação de três ecrãs digitais que, da esquerda para a direita, acumulam funções de, respetivamente, painel de instrumentos, painel de controlo da climatização e ecrã multimédia, todos eles com excelente grafismo e definição. Os laterais têm 12,3 polegadas de diagonal e o central tem 5,3 polegadas, não sendo uma solução muito prática pois está posicionado atrás do volante. A KIA, felizmente, manteve controlos físicos para a climatização no tablier.

Para além de uma estética interior particularmente original, há que destacar a boa qualidade dos materiais (dez deles de origem sustentável), por exemplo, nos forros das portas, estendendo-se, inclusivamente, às traseiras. Já na consola central são utilizados plásticos menos nobres. Em termos de espaços de arrumação, estes são abundantes, contribuindo para uma boa sensação de praticidade para o dia a dia, para a qual também ajudam soluções como o carregador sem fios para smartphones e as curiosas tomadas USB-C colocadas nas laterais dos bancos dianteiros.
Duas opções de bateria. Motor elétrico de 204 cv
O novo EV4 – com arquitetura elétrica de 400 V – é proposto em duas variantes de bateria com 58,3 ou 81,4 kWh de capacidade e autonomias em ciclo combinado de, respetivamente, 440 e 594 quilómetros, sendo que, no caso deste “meu” Fastback, sempre associado à bateria de maiores dimensões e com uma eficiência aerodinâmica superior ao Hatchback, a autonomia atinge os 617 quilómetros. O carregamento da bateria pode ser feito em AC até uma potência máxima de 11 kW em ambas as variantes, diferindo no caso de ser utilizado um posto DC: 101 kW nos EV4 com bateria mais pequena, 128 kW nos que disponham da maior.

A posição de condução é confortável e a escolha da coluna de direção para a colocação do seletor da transmissão já tinha provado em ocasiões passadas ser uma boa solução. O volante dispõe de patilhas para controlo da intensidade da regeneração de energia, não lhe faltando um modo automático e condução do tipo “one pedal”, também em marcha-atrás. A visibilidade traseira, pelo menos no caso da variante Fastback, é fraca, dificultada pelo desenho muito horizontal do vidro.
Estão disponíveis vários modos de condução, os habituais Eco, Normal e Sport, bem como um personalizável e outro indicado para condução sobre a neve. Ao volante apreciei a facilidade de condução, a qualidade de amortecimento, passivo, mas com um equilíbrio quase perfeito entre conforto e agilidade, bem como ter disponível debaixo do pé direito um nível adequado de potência, 204 cavalos que se usam e que estão perfeitamente ajustados aos 1914 kg do EV4, com a KIA a resistir à tentação (infelizmente, comum) de dotar um modelo familiar com números verdadeiramente desnecessários. Em termos de eficiência, fechei este ensaio com uma média de 14 kWh/100.
Preços em Portugal
A gama nacional do EV4 Hatchback é composta por três níveis de equipamento, Drive com bateria de 58,3 kWh, Tech e GT-Line com bateria de 81,4 kWh. Os preços são de, respetivamente, 41.500 €, 46.000 € e 48.500 €. No caso do EV4 Fastback, este está apenas disponível no nível de topo GT-Line, sendo proposto em Portugal por um preço de 50.100 €.






