Ensaio Total: Škoda Elroq 85
A Škoda é uma das marcas mais interessantes do momento. Perdoem-me a forma direta como abro este artigo, mas é a sensação que tenho vindo a desenvolver ao tomar contacto com a sua mais recente geração de produtos. Do competente Fabia ao brilhante Octavia, passando ainda pelo não menos impressionante Superb, a marca da República Checa tem-se focado em desenvolver modelos globalmente muito competentes, algo que se estende igualmente ao segmento elétrico onde o seu primeiro modelo, o Enyaq, rapidamente conquistou profissionais do setor e inúmeros clientes nos mais variados mercados.


Com este novo Elroq, o segundo modelo puramente alimentado a bateria da Škoda, a habitual promessa de competência global é em tudo equivalente e, com os resultados comerciais que já acumulou e excelentes análises de que foi alvo, não abordei este ensaio com dúvidas de que o iria confirmar, mas sim com muito interesse em ficar a conhecê-lo ao detalhe. E apenas para colocar em perspetiva a relevância do Elroq no mercado europeu – porque o nosso “cantinho” não expressa o verdadeiro desempenho da marca do Grupo Volkswagen – importa dizer que, de acordo com os dados da Jato Dynamics referentes, por exemplo, ao mês de agosto, a Škoda foi a quarta marca que mais elétricos vendeu na Europa, crescendo 86% comparativamente a agosto de 2024. O Elroq foi o segundo modelo 100% elétrico mais vendido, batido apenas pelo Tesla Model Y. O Enyaq está também no top 10.
Moderno e sereno
Não resisto a falar do design. Ainda que não goste de o fazer, por ser sempre uma avaliação muito dependente dos gostos de cada um, aos meus olhos, comparar o Elroq com, por exemplo, o Model Y, é como dizer que a Taylor Swift enche mais estádios que o Nick Cave nos seus espetáculos. A dupla americana passa-me completamente ao lado e, não sendo o Elroq um exercício de design perfeito, as suas linhas têm carácter e transmitem-me qualidade e uma serenidade que aprecio num automóvel para o quotidiano. Tal como o trabalho de Cave. A bordo, as sensações são equivalentes. Materiais maioritariamente agradáveis ao toque, nos quais destaco o acabamento a imitar ganga escura, linhas suaves e texturas contrastantes garantem que o minimalismo pretendido não se confunde com cinzentismo e frieza, tão comum noutros modelos (não preciso de me repetir com nomes).


A bordo são igualmente destaque os muitos espaços de arrumação (48 litros, no total) e as já habituais soluções Simply Clever da Škoda. Destaco, por exemplo, a rede disponível debaixo da chapeleira, perfeita para guardar os volumosos cabos de carregamento e debaixo do apoio de braço é inclusivamente possível compartimentar o espaço de arrumação. Lá mais atrás, a bagageira oferece 470 litros de volume – expansível a 1.580 litros com o rebatimento do encosto – mas, pelo menos na unidade ensaiada, não se cria um plano de carga ininterrupto. Sob o capot dianteiro não existe, também, uma bagageira complementar.
Bom familiar
Tratando-se de um Škoda, as preocupações com uma utilização familiar são óbvias assim que se acede ao banco traseiro. Portas grandes, com janelas que abrem na totalidade e com bons espaços para colocar os objetos dos passageiros mais pequenos, bem como um banco confortável (com função de aquecimento), com um assento que proporciona suporte adequado para as pernas, são disso um bom exemplo. Por ali não faltam tomadas USB-C, nem o controlo independente da temperatura da climatização. Em termos de espaço para as pernas e para a cabeça, passageiros com cerca de 1,8 metros de altura podem contar com uns bons quatro ou cinco dedos de folga em ambas as direções. E porquê? Porque o Elroq é efetivamente maior do que aparenta ser.


A posição de condução ideal é fácil de encontrar e, dali, salta à vista o volante de dois braços com o lettering da Škoda e o pequeno painel de instrumentos. E quando digo pequeno é mais por comparação com o enorme ecrã central do sistema de infotainment, porque apesar da reduzida dimensão, as informações dadas ao condutor são claras. Ao centro, o infotainment destaca-se pelo excelente grafismo e funcionamento intuitivo, mas principalmente por algo que lhe é externo, o facto de ser complementado por atalhos físicos, colocados abaixo das saídas de ar. O posicionamento do botão de arranque do motor, no sítio onde normalmente está o canhão de ignição, bem como o do discreto seletor de transmissão na consola central, denota o cuidado e tempo dedicados ao Elroq. “Simplesmente inteligente.”
Gama Elroq com quatro versões e três opções de bateria
A gama Elroq inclui quatro versões diferentes, assentes em três opções de bateria, sendo este 85, muito provavelmente, a mais interessante de todas por dispor do motor mais potente e da bateria maior, resultando, nesta configuração de tração traseira, numa autonomia em ciclo combinado WLTP de 581 quilómetros. São 286 cavalos de potência, 545 Nm de binário e 82 kWh de capacidade da bateria, dos quais 77 kWh são úteis. Estão disponíveis quatro modos de condução – Eco, Normal, Sport e Individual – bem como um modo B que intensifica a regeneração de energia sem, infelizmente, ter capacidade de imobilizar totalmente o Elroq. Para compensar, o modo de regeneração automático revelou um funcionamento exemplar, tendo ajudado a fechar o ensaio com uma média final de 15,1 kWh/100 km.


Mesmo sem estar equipado com o sistema que permite variar a força do amortecimento, a suspensão do Elroq mostrou estar à altura das exigências, evitando, com sucesso, o excessivo balanceamento de carroçaria tão comum nos elétricos com grandes baterias. Felizmente, não tenta também transformá-lo num desportivo, nem é demasiado branda ao ponto de não conseguir controlar o peso elevado do Elroq, nada menos do que cerca de 2.100 kg. Assim, para além da facilidade com que se deixa conduzir, o Elroq mostra-se quase sempre muito confortável, impressão que nem as jantes de 21 polegadas desta unidade conseguem beliscar.


O Elroq não é perfeito. Falta-lhe o modo “One Pedal” e podia gastar 14 em vez de 15 kWh/100 km, seria, assim, ainda mais “poupadinho”. Em vez de 49.800 euros, esta unidade podia também custar 39.800 euros e em vez de comandos por voz, que não uso, podia ter uma máquina de café, que não dispenso. Não é, certamente, o mais confortável, nem o mais rápido, nem tão pouco o mais eficiente e não é, também, o modelo mais barato do seu segmento. Porém, tudo o que faz, faz bem feito. Poderá, até, ser o melhor em determinada avaliação que aqui não refiro, mas a ideia a reter é que a regularidade ganha campeonatos e o Elroq é, sem dúvida alguma, um vencedor, um excelente automóvel. Mais um da Škoda para juntar aos que incluo no início do texto. Já dizia o “adepto mais confuso do mundo”: “É o Octavia, o Superb e….e os outros todos.”






