Ensaio Total: Mitsubishi Outlander PHEV
Depois de ter estado presente na sua apresentação internacional estática, bem como no seu lançamento em território nacional, onde tive então oportunidade de o conduzir pela primeira vez, regressei ao Outlander para um ensaio mais prolongado e conclusivo. Visto por muitos, merecidamente, como um dos modelos pioneiros na introdução e massificação da tecnologia híbrida plug-in, com a geração anterior a acumular mais de 200.000 unidades vendidas com propulsor PHEV na Europa, o SUV topo de gama da Mitsubishi está, segundo a marca japonesa, melhor do que nunca.
“Mitsubishiness”
Por fora, o Outlander exprime uma abordagem estilística plena de um conceito batizado internamente por “Mitsubishiness”, destacando-se, na frente, a assinatura Dynamic Shield, na lateral, o efeito Jet Tail Fin do último pilar e, na traseira, o motivo Hexaguard Horizon, inspirado na porta da bagageira do Pajero original. Designações elaboradas que podem, no entanto, ser resumidas a um visual pleno de carácter SUV, com a robustez e personalidade obrigatórias, algo que confirmei com os comentários que ouvi de dois transeuntes enquanto aguardava, a bordo, pelo carregamento da bateria: “Tem muito bom aspeto!” E tem mesmo.


A bordo, qualidade elevada
Passando ao interior, é-me impossível não começar por elogiar a sensação de qualidade, mas principalmente o excelente equilíbrio conseguido entre tecnologia de que não prescindimos e comandos convencionais, muito mais agradáveis (e seguros) de utilizar do que quando integrados num ecrã tátil. Neste aspeto, o Outlander não se perde na guerra de ver quem vai a jogo com mais polegadas, apostando num display de dimensão adequada e num painel de instrumentos digital completo e claro. O equipamento é abundante, destacando-se elementos como os bancos aquecidos e ventilados, volante aquecido, o head-up display, o retrovisor interior com ecrã incorporado e o excelente sistema de som da Yamaha, com agudos detalhados e baixos possantes, sempre sem distorção.


Muito espaço atrás
As portas de trás abrem praticamente a 90 graus, tornando o acesso ao banco traseiro muito fácil. Já instalado, senti, porém, falta de algum comprimento adicional no assento, o que permitiria um melhor suporte para as pernas. Em termos de espaço disponível, o grande SUV da Mitsubishi passa com distinção, inclusivamente nos centímetros livres em altura e mesmo com a presença das calhas do teto de abrir. O lugar central não proporciona, obviamente, o mesmo conforto que os laterais (que, como à frente, contam com função de aquecimento), quer pelo encosto mais rijo devido à presença do apoio de braço, quer pelo piso ligeiramente mais elevado. Ainda no que diz respeito aos lugares traseiros, por ali não falta o controlo independente da temperatura, várias bolsas para arrumação de objetos nas costas dos bancos da frente, bem como cortinas nas janelas, as quais, infelizmente, não abrem até abaixo.


PHEV, pois claro
A única motorização proposta na quarta geração do Outlander é, como não podia deixar de ser, híbrida plug-in, permitindo condução em modo 100% elétrico alimentado pela carga da bateria, funcionamento em série, no qual o motor térmico produz energia para a bateria elétrica ou em paralelo, com ambas as vertentes a contribuírem para o movimento do maior dos SUV da Mitsubishi. O motor de combustão a gasolina é um propulsor quatro cilindros com 2.4 litros de cilindrada e está combinado com um par de máquinas elétricas, uma em cada eixo, para disponibilizar uma potência total de 225 kW/306 cavalos, ou seja, cerca de mais 40% do que a geração anterior.


Boa autonomia. Carregamento limitado
A bateria elétrica dispõe agora de 22,7 kWh de capacidade, o que permite ao Outlander percorrer até 87 quilómetros sem recurso à queima de combustível, autonomia que foi, neste teste, confirmada e até, ainda que apenas ligeiramente, superada: 89 quilómetros. E isto com temperaturas muito baixas, por vezes com 5 graus Celsius. No que toca ao carregamento da bateria, as notícias não são tão boas. Esta pode ser carregada num posto DC, mas com ficha CHAdeMO, bastante menos comum do que a CCS2. Já através de um carregador AC, a potência máxima suportada é baixa, apenas 3,7 kW, o que exigiu muito tempo de ligação no carregador público e, consequentemente, um custo elevado. Carregando em casa, não será um problema.
Modos de condução para todas as necessidades
O Outlander destacou-se igualmente pela boa capacidade de regenerar energia, o que contribuiu positivamente para a extensa autonomia elétrica verificada. A intensidade com que recupera energia pode ser ajustada em vários níveis através das patilhas no volante, estando ainda disponível a funcionalidade “one pedal drive”, ainda que o Outlander não se imobilize por completo. Quanto a modos de condução, estão disponíveis sete: Normal, Eco, Power, Asfalto, Gravilha, Neve, Lama. O condutor pode ainda selecionar quatro modos distintos para gestão da energia. O modo Normal gere automaticamente a condução elétrica/híbrida, o modo EV dá prioridade à propulsão elétrica (quando a carga da bateria o permite), o modo Save mantém o nível de carga da bateria e o modo Charge força o carregamento da bateria através do motor a gasolina.


Conforto acima de tudo
A quarta geração do Outlander partilha a plataforma com o Nissan X-Trail, mas conta com afinações específicas em termos de suspensão e da direção, com vista, respetivamente, a melhorar o conforto de rolamento e manobrabilidade a baixas velocidades, destacando-se a excelente brecagem. O amortecimento brando permite que a carroçaria adorne em situações dinamicamente mais exigentes, mas o comportamento é são e seguro, focando-se, e bem, no conforto. Não é essa a prioridade de um SUV familiar? Os travões são também novos, agora com discos ventilados de 350 milímetros em ambos os eixos. A sensação do pedal é algo esponjosa devido à regeneração, mas nada que uns dias ao volante não ensinem a gerir. Já o sistema S-AWC – Super All Wheel Control permite um controlo preciso do binário entregue em cada eixo, uma distribuição ideal que só é possível porque cada um tem o seu próprio motor elétrico associado e que garante sempre muita motricidade sem intervenção direta do condutor.


Mitsubishi Outlander PHEV desde 54.120 euros
Cheguei ao fim deste ensaio com uma certeza que, na verdade, já tinha no primeiro dia deste teste, a de que o Outlander é um produto de elevada qualidade (como, na verdade, já era). Mais potência, mais autonomia, muito espaço para viajar em família, com 495 litros de espaço disponível para bagagem, e um habitáculo recheado onde a sensação de conforto é também uma constante. E que bom é ter digitalização que se usa, mantendo-se os controlos físicos em abundância, num equilíbrio quase perfeito entre tecnologia moderna e aquela que não precisa de ser reinventada. Falta, isso sim, rever as possibilidades de carregamento externo da bateria, claramente o calcanhar de Aquiles do ainda assim excelente Outlander, proposto em Portugal por um preço base de 54.120 euros.






