Novo KGM Actyon já disponível em Portugal. Topo de gama abaixo dos 40.000 euros
A KGM, marca sul-coreana representada em Portugal pela Astara, reforçou a sua gama nacional com um novo SUV coupé, o Actyon. Construído sobre a plataforma do Torres e com 4,74 metros de comprimento e uma distância entre eixos de 2,68 metros, a KGM aponta o Actyon ao segmento D com um visual arrojado e verdadeiramente diferenciador. Com elementos como a original iluminação dianteira e traseira, as jantes de 20 polegadas e um espesso terceiro pilar que nunca passa despercebido, a verdade é que a KGM concebeu um SUV que, goste-se ou não, distingue-se perfeitamente dos restantes modelos do segmento, alguns deles, muito idênticos entre si. Personalidade não lhe falta.

Por dentro
Passando ao interior, um dos principais destaques do Actyon é o duplo ecrã digital, um para o painel de instrumentos e outro para o sistema de infotainment, ambos com 12,3 polegadas de diagonal. Em termos de materiais, o D-SUV da KGM adota a habitual combinação de materiais mais agradáveis ao toque nas zonas superiores com outros menos nobres onde as mãos normalmente não tocam. No geral, a sensação de qualidade é boa e mais do que adequada ao segmento não premium. A consola central flutuante, não unida, como habitualmente, ao tablier, e onde está colocado o comando da transmissão, provou ser uma boa solução, facilitando o acesso à zona de arrumação imediatamente abaixo. Já o volante, que não é um círculo perfeito, não se mostrou muito agradável de utilizar.



Neste primeiro contato com o Actyon, e antes de avançar para as primeiras impressões de condução, começo por partilhar a minha experiência enquanto passageiro do banco de trás, onde não falta espaço em todas as direções, saídas de ar dedicadas e soluções de carregamento. Para as viagens mais longas, a bagageira do Actyon oferece 839 litros de volume, espaço que pode ser expandido até 1.444 litros com o rebatimento do encosto do banco traseiro.
Dois níveis de equipamento
Em termos de equipamento, a KGM destaca uma oferta recheada logo a partir da versão de acesso, K3, com elementos como ar condicionado automático bizona, conetividade Android Auto e Apple CarPlay, carregador de smartphone por indução, três entradas USB-C, bancos forrados a couro sintético, bancos dianteiros aquecidos, ventilados e com regulação e ajuste lombar elétricos, bancos traseiros aquecidos e iluminação ambiente. O topo de gama K5 eleva a fasquia com equipamento como a porta da bagageira com abertura elétrica e sensor de pé, bem como o sistema de arranque sem chave.
Nova motorização híbrida
O Actyon esconde debaixo do capot uma motorização full hybrid que combina, de forma resumida, um novo motor 1.5 Turbo a gasolina com 150 cv e 220 Nm, dois motores elétricos, uma bateria NMC de 1,83 kWh (colocada debaixo do piso da bagageira) e uma nova transmissão DHT – Dedicated Hybrid Transmisson. O motor elétrico principal tem 177 cv e 300 Nm e é, tal como o motor de combustão, um dos responsáveis por transmitir potência às rodas. A segunda máquina elétrica, com 130 cv e 170 Nm, está diretamente ligada ao motor a gasolina e acumula as funções de arranque do motor térmico e de gerador de energia para carregar a bateria, tendo ainda a capacidade de contribuir com binário adicional, suportando o funcionamento da transmissão (explicado de seguida).

Como funciona a transmissão DHT do KGM Actyon?
Já a transmissão DHT prescinde das habituais engrenagens e de uma embraiagem convencional. A informação conhecida sobre a tecnologia é muito resumida, mas pelo que me foi possível apurar, a caixa de velocidades do Actyon dispõe de duas relações para o motor a gasolina, uma pensada para baixas velocidades, para situações de maior carga e para se usar em cidade, a outra para ritmos mais elevados em estrada aberta e autoestrada, fazendo baixar as rotações do motor. Quem faz a gestão autónoma da transição entre ambas as relações é a própria vertente elétrica, com um atuador eletromecânico a fazer a “troca” e contando com a ajuda do motor elétrico gerador para acertar as rotações do motor térmico, compensado a diferença entre ambas as relações e suavizando, assim, a transição. A máquina elétrica principal, a de tração, também dá um contributo importante nas “passagens de caixa” ao compensar a ligeira quebra de binário associada à transição entre relações. O motor elétrico de tração dispõe igualmente de uma relação de redução ao passar a sua potência às rodas, permitindo uma velocidade máxima de 100 km/h em modo elétrico.

Tecnologia híbrida com origem BYD
Em termos de modos de funcionamento, a tecnologia híbrida da KGM – desenvolvida com base na tecnologia híbrida plug-in da BYD – pode funcionar segundo nove modos distintos, consoante a forma como são combinadas as fontes de potência e sempre de forma totalmente automática. O sistema pode, obviamente, funcionar em modo puramente elétrico, em modo híbrido série, com o motor térmico a produzir energia para a bateria e para o motor elétrico, em modo híbrido paralelo, com a combustão e a energia elétrica a combinarem-se para fazer mover o Actyon ou ainda com recurso ao motor térmico em exclusivo. Segundo a KGM, “a tecnologia permite uma distribuição de potência ideal ao realizar simultaneamente o carregamento e a propulsão elétrica graças à configuração de duas máquinas elétricas, permitindo que o sistema recupere mais energia e a utilize de forma mais eficiente.” A intensidade de regeneração de energia pode também ser alterada nas patilhas atrás do volante, estando ainda disponível um modo automático.


Primeiro teste aguça curiosidade
O primeiro contato dinâmico com o Actyon, no âmbito da sua apresentação nacional, foi relativamente curto, mas as boas primeiras impressões deixaram-me muito curioso para um teste mais completo. Apreciei o refinamento com que pisa a estrada, com um bom nível de conforto graças aos amortecedores de frequência seletiva, bem como a insonorização do habitáculo, antecipando-se viagens muito confortáveis a bordo, experiência híbrida que, graças à potência e disponibilidade da vertente elétrica, a KGM promete ser a mais próxima possível à de um elétrico. Em termos de eficiência, este primeiro teste foi muito promissor, pois após um percurso misto com cerca de 50 quilómetros, o computador de bordo mostrava no final uma média de 5,8 l/100 km, um valor excelente para um SUV deste segmento. De falta de espaço ninguém se vai queixar, a lista de equipamento é extensa e o preço é também muito apetecível, sempre abaixo dos 40.000 euros. A garantia é de 5 anos ou 100.000 quilómetros. Argumentos parecem não lhe faltar. Será este um dos SUV mais interessantes da atualidade?
Preços KGM Actyon HEV
- K3 – 37.990 euros (c/ financiamento: 35.990 euros)
- K5 – 39.990 euros (c/ financiamento: 37.990 euros)






