Ensaio Total: Forthing S7
O S7 é um dos três modelos com que a Forthing, marca do Grupo Dongfeng, entrou no mercado português, sendo o único que é proposto em exclusivo com uma motorização 100% elétrica.
Com um comprimento de 4,9 metros e uma distância entre eixos de sensivelmente 2,9 metros, o S7 equipara-se em dimensões, por exemplo, a um BYD Seal, apostando num design exterior que não consegue esconder o seu minimalismo, bem como as preocupações da Forthing com a eficiência aerodinâmica, cujo efeito se sente principalmente nos consumos em estrada aberta e na facilidade com que rola e mantém velocidade.

Já o habitáculo peca pelo habitual anonimato dos modelos chineses. Dois ecrãs, mais minimalismo no tablier e uma grande consola central com espaço para colocar dois smartphones. A escolha de materiais não desilude, mas há margem para melhorar alguns acabamentos e outros aspetos como por exemplo a abertura das quatro portas, todas elas excessivamente “pesadas”. A bordo, o ambiente é, no geral, agradável e acolhedor.

A posição de condução é boa, pecando apenas pelo assento algo curto em termos de suporte para as pernas, crítica que estendo ao banco traseiro, mas aqui compensado por alguma inclinação que garante um pouco mais de conforto. A ausência de um túnel central e de um apoio de braço integrado no encosto, garante que até o lugar central é utilizável. As janelas traseiras, lamentavelmente, não abrem na totalidade.

Passando à bagageira, o Forthing, sendo um verdadeiro automóvel de cinco portas, oferece uma bagageira com cerca de 400 litros de volume e ótima acessibilidade. Debaixo do piso está disponível um grande compartimento de 114 litros, complementado pelo “frunk” de 50 litros. Rebatendo-se o encosto – algo que só é possível de fazer por inteiro, limitando, e muito, a versatilidade do S7 – cria-se um plano de carga sem degraus e o volume total expande-se para cerca de 1300 litros.

O S7 é proposto com uma única motorização que combina uma máquina elétrica de 209 cavalos colocada sobre o eixo traseiro e uma bateria de química LFP com 56,8 kWh de capacidade. A Forthing declara uma autonomia WLTP de 420 quilómetros, extensível a 581 quilómetros se a utilização for maioritariamente feita em cidade. Neste teste, com alguma utilização da climatização, a média em ciclo combinado foi de 17,5 kWh/100 km, colocando a autonomia real nuns teóricos (e “curtos”) 320 quilómetros. A bateria pode ser carregada a uma potência máxima AC de 6,6 kW e num posto DC até 120 kW.

O andamento proporcionado é mais do que suficiente para uma berlina familiar 100% elétrica, sendo possível atingir os 165 km/h e acelerar de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos. Estão disponíveis vários modos de condução, bem como dois níveis de regeneração de energia para além da útil possibilidade de a eliminar por completo, aproveitando ao máximo a inércia. Por outro lado, a configuração mais intensa não permite uma desaceleração suficientemente forte para imobilizar na totalidade o S7.
Ao volante, apesar da competência dinâmica do S7, também ajudada pela rapidez da direção, senti falta de um pouco mais de refinamento ao rolar. A suspensão merece, claramente, uma pouco mais de dedicação a alguns ajustes, sendo notória a dificuldade que tem, por exemplo, em impedir que a frente raspe nas muitas lombas que por aí andam, mesmo a velocidades tão baixas como 25 km/h. Falta-lhe curso e um pouco mais de controlo de massas, parecendo, inicialmente, demasiado branda, faltando-lhe depois capacidade para continuar a trabalhar na segunda metade da fase de compressão. Também o pedal de travão me pareceu exigir mais força do que é normal num veículo elétrico moderno.

O Forthing S7 não é, como pude descrever, um produto isento de falhas. Os acabamentos podiam ser melhores, a bateria é pequena para um automóvel desta dimensão e há trabalho a fazer ao nível do chassis, melhorando a sensação de conforto e a agradabilidade de utilização. A regulação da luminosidade do painel de instrumentos também podia permitir reduzi-la a um nível ainda mais baixo, incomodando durante a condução noturna. A qualidade de som a bordo também não está sequer perto da de um sistema áudio básico de há 15 ou 20 anos. Porém, o potencial do S7 está lá, mais ainda se considerado o apelativo preço de 39.348 euros.






