Takuminuri, as cores de excelência da Mazda
Na aula de hoje vamos debruçar-nos sobre as “Cores”, algo tão importante na escolha de um automóvel novo. Mas não são umas cores quaisquer, pois centramo-nos numa mão cheia de tons que na Mazda se apelidam de Takuminuri, processo que, ali para os lados de Hiroshima, reflete um cunho humano e artesanal aplicado num processo habitualmente frio, do foro industrial.
No caso de um automóvel novo, podemos pintá-lo ao nosso gosto, aproveitando as potencialidades da maioria dos configuradores das marcas, cada vez mais realistas, mais as próprias capacidades informáticas do presente, que nas versões de melhor qualidade gráfica quase nos dá a sensação de os estamos a ver ao vivo. Já num usado a coisa torna-se mais limitada em termos de possibilidades, tendo de nos cingir ao que está ali, à nossa frente, nem sempre com a frescura de outrora.

Feitas as opções, há depois de ir ver a cor ao vivo, aplicada no modelo da nossa eleição, ou num concessionário da marca, se o mesmo ali estiver exposto, ou ter a sorte de nele tropeçar num estacionamento de um qualquer estabelecimento comercial, na estrada, entre muitas outras hipóteses. Há, ainda, a questão dos orçamentos de cada casa, devendo ter-se em conta que algumas cores de tão exclusivas que são custam quase um rim, pelo que, se ainda assim quisermos ter o nosso popó, novo e reluzente, nesse tom de valores estratosféricos, há então que abdicar desse tão necessário órgão para nos tornarmos diferentes dos demais!
Não é que isso aconteça na Mazda, onde a palete, mesmo entre as ditas cores exclusivas – as tais do conceito Takuminuri – não ultrapassa os 1.050 €. São cores metálicas premium, que nascem sob uma patente de uma tecnologia própria, cuja denominação deriva da combinação do termo “Takumi” (“mestre artesão”) e “Nuri” (“pintura” ou “revestimento”), sonoro termo japonês que joga com os fortes contrastes entre luz e sombra, num acabamento elegante e de alta densidade.
Se, até há bem pouco tempo, tais tonalidades apenas se encontravam em modelos exclusivos ou concept-cars, muitos deles quase sempre pintados à mão, ao evoluir, de um modo contínuo, essa sua técnica Takuminuri ao longo de mais de uma década, a Mazda conseguiu alcançar esse mesmo acabamento, que aplicou aos seus veículos de produção em série, sem que com isso chegasse a exorbitâncias de custos associados.
Do Soul Red ao Soul Red Crystal e aí por diante
São hoje cinco os tons de excelência que compõem esse exclusivo grupo Takuminuri, uma mão cheia de cores que se integra numa bem mais abrangente palete que, considerando todas as restantes cores desenvolvidas com maior ou menor inspiração, mas todas com a tal alma japonesa, quase dá para abrir uma loja de tintas. Só em Portugal há três dezenas de hipóteses, a vestir os diferentes modelos da marca, sejam eles de tendência mais eletrificada, ou as da outrora dominante térmica, felizmente já não tão extinta como alguns nos fizeram querer acreditar. Situação que a Mazda nunca desejou, aliás!

Associadas à máxima de design chamada Kodo, que expressa a Alma do Movimento dos modelos do construtor japonês, todas encerram uma história e as suas especificidades, contribuindo para a criação da ligação emocional da viatura com o seu condutor, um outro conceito que a Mazda chama de Jinba Ittai, fazendo a ponte entre o cavaleiro / condutor e o seu cavalo / automóvel, e que encontra o seu expoente máximo no Mazda MX-5! Ufff… falar em MX-5 é sempre um trigger que despoleta outras tantas emoções, mas pronto, tem de ficar para uma próxima – talvez não tão longínqua quanto isso – oportunidade.
Já mais de uma década de Mazda Takuminuri
Mais do que apenas um detalhe visual no design automóvel, a cor na Mazda é uma linguagem emocional que fala diretamente ao coração, não só da marca em si, como dos seus clientes. Recorrendo às ancestrais tradições do artesanato japonês, explorando as tendências globais de design e envolvendo-se em experiências práticas, os seus designers / mestres artesãos criam cores que não só espelhem beleza ao olharmos para elas, mas que sejam, igualmente, profundamente significativas.
Atente-se no Soul Red Crystal, um tom que personifica a ousadia e a paixão da Mazda, depois acompanhada por cada nova tonalidade que surgiu após essa criação quase divinal, todas contribuindo para melhorar a experiência de condução, para a criação da ligação emocional duradoura entre o condutor e o veículo e, consequentemente, para o indisfarçável orgulho de se conduzir um Mazda.

São já 10 anos de cores Mazda Takuminuri, período em que se alcançou um nível inigualável de brilho e profundidade, registando-se uma redução nas quantidades de materiais utilizados na sua conceção, levando a que a Mazda continue a explorar novas expressões cromáticas e novas tecnologias de pintura para realçar ainda mais o encanto dos seus modelos, reduzindo, em simultâneo, o seu impacto ambiental.
Introduzida em 2013 com o então Mazda6, a cor Soul Red foi a primeira tonalidade Takuminuri da Mazda, sendo depois aperfeiçoada, evoluindo para o que hoje conhecemos como Soul Red Crystal. Tornando-se numa das cores de assinatura por excelência da marca, é hoje acompanhada por quatro outras cores com caraterísticas de excelência – Machine Grey, Rhodium White, Artisan Red e Melting Copper – traduzindo o conceito de pintura industrial com acabamento artesanal.

Se chegou até aqui e ainda não adormeceu com a colorida palestra, convido-o/a a conhecê-las um pouco mais em pormenor:
– Soul Red Crystal – Concebido para parecer vibrante e “semelhante a um doce”, o emblemático vermelho da Mazda oferece 20% mais saturação e 50% mais profundidade do que o tom Soul Red original. Foi lançado em 2017 com a segunda geração do Mazda CX-5, assumindo esse papel de destaque, equilibrando energia vibrante e vivacidade com profundidade e brilho nítidos. A sua camada translúcida apresenta um pigmento vermelho altamente saturado, gerando um vermelho mais intenso. A camada refletora/absorvente subjacente combina flocos de alumínio extremamente finos e de alto brilho com flocos absorventes de luz que intensificam as áreas sombreadas, criando uma profundidade de cor que anteriormente exigia duas camadas. Em Portugal, está disponível para a quase totalidade de modelos da marca, com preços que vão dos 900 € aos 1.050 €.
– Machine Grey – Desenvolvida para expressar a “beleza da maquinaria”, a segunda cor Takuminuri utiliza partículas de alumínio contrastantes para um visual metálico e esculpido. Surgiu em 2016 com o Mazda MX-5 RF, versão com capota rígida do icónico roadster e foi desenvolvida para expressar a beleza da força e da precisão de uma máquina, num forte contraste entre luz e sombra e um acabamento elegante e de alta densidade, dando impressão de que a carroçaria do veículo foi esculpida a partir de um lingote de aço maciço. Na pintura Machine Grey, a camada de cor encontra-se por baixo da camada refletora/absorvente, sendo utilizados pigmentos pretos azeviche em ambas, visíveis através dos espaços entre as escamas de alumínio. Esta estrutura confere às áreas não iluminadas uma tonalidade preta e realça o contraste entre luz e sombra. Também está disponível ao longo de quase todo o catálogo Mazda, custando de 750 € a 900 €, consoante o tamanho da carroçaria a pintar.
– Rhodium White – Um branco puro inspirado na estética japonesa, com uma textura sedosa e de fina granulagem, que realça as sombras e a textura metálica. Desenvolvido para a gama de veículos de grandes dimensões e estreado no mercado no SUV CX-60, em 2022, foi inspirada na estética japonesa, encontrando beleza na simplicidade e na ausência de elementos supérfluos. Também aqui, a camada de cor do Rhodium White situa-se por baixo da camada refletora e proporciona um branco de fina granulagem e suave como seda, sendo as escamas de alumínio distribuídas uniformemente para gerar um visual glossy e matizado quando atingidas pela luz. Para o mercado nacional, o Rhodium White pode ser escolhido para três SUV Mazda – CX-5, CX-60 e CX-80 – tendo um custo de 800 € a 900 €.
– Artisan Red – Tom vermelho mais profundo e maduro, concebido para se assemelhar a um vinho de excelência. Quarta cor Takuminuri, traz à lembrança um vinho maduro de elevada qualidade, transmitindo a conotação de uma pintura vermelha criada por artesãos experientes. Exemplo da evolução das cores Mazda Takuminuri, integra uma camada translúcida que contém um pigmento de alta cromaticidade, que gera um vermelho intenso. Na camada refletora/absorvente, as escamas de alumínio foram alinhadas de forma tão suave e regular como no Rhodium White, herdando do Machine Grey um pigmento preto azeviche melhorado, que lhe confere tonalidade. Concebido como um destaque premium dentro da gama de modelos da Mazda, foi uma das cores de lançamento em 2024 do SUV de 7 lugares CX-80, modelo que, para já, a usa em exclusivo. Tem um PVP de 1.050 €.

– Melting Copper – Inspirada no cobre fundido, visa combinar calor e força, num resultado adicional às explorações das tendências de design. A criação envolveu a mistura de tons metálicos de granulagem fina com uma pequena quantidade de pigmento preto, para um equilíbrio perfeito entre brilho e profundidade. Inspirada no encanto do metal fundido, também apareceu no SUV maior da Mazda, personificando, assim, robustez e elegância. Desenvolvida para representar o cobre no preciso momento em que começa a derreter, o Melting Copper apresenta uma aparência luxuosa, brilhante e sofisticada que se altera consoante a luz que nela incide, passando de um tom castanho à sombra para um cobre vibrante ao sol. A tecnologia de pintura tri-camada Takuminuri usada na aplicação da tinta permite que a luz interaja com as partículas metálicas, criando uma sensação de profundidade e um acabamento de elevada qualidade. Em Portugal, o Melting Copper está apenas disponível no Mazda6e e no SUV CX-80, num opcional que custa 750 €.
Só mais um pormenor: os valores acima para estas cores metalizadas da Mazda incluem IVA e são sempre propostas em opção, tendo, por isso, esse custo associado ao valor do modelo encomendado. Na palete da Mazda, apenas as cores sólidas não têm custo associado.
Só mais um pouquinho de técnica
Todas as cores nascidas sob o conceito Takuminuri, marca registada da Mazda, utilizam uma estrutura de pintura composta por três camadas: uma refletora, outra colorida translúcida e um verniz transparente. A camada refletora contém flocos de alumínio extremamente finos e de alto brilho e deve ser aplicada com grande precisão, para garantir um revestimento uniforme. Durante o processo de secagem, a sua espessura reduz-se para aproximadamente 2,5 mícrons, cerca de um quarto da espessura da maioria das camadas refletoras equivalentes. Tal torna planos os flocos de alumínio e com um espaçamento regular entre eles, como se a camada tivesse sido pintada à mão por um artesão experiente. Este acabamento de elevada densidade confere a toda a superfície um brilho quando iluminada, para um aspeto metálico realista.
E pronto! Espero que com esta aula de “Cores” o/a tenha ajudado a decidir-se qual viatura Mazda comprar e em que cor. Eu já decidi (assim a carteira me deixe): um Mazda MX-5 em Soul Red Crystal – quem não?! Está lá tudo: Kodo e Jinba Ittai nas suas mais elevadas expressões, sublimados pelo Takuminuri.

Como se vê pelos PVP acima descritos, os valores, cujo máximo pouco ultrapassa a barreira dos 1.000 €, estão longe, mas mesmo muito longe, do que se pratica por outras paragens, mesmo em marcas ditas de mainstream, onde as opcionais cores metalizadas aumentam bastante a fatura. Se entrarmos nos extremismos dos supercarros, pois, passamos a ter de lidar com demasiados dígitos. Quer alguns exemplos? Comecemos pelos cerca de 10.000 a 25.000 € dos tons inerentes a diferentes modelos da Ferrari, para logo depois subirmos aos cerca de 60 mil da cor Oro Alba do Lamborghini Revuelto ou dos tons Apple Red e Sweet Mandarin do Koenigsegg Jesko Attack. Mais ainda com os cerca de 90 mil pedidos pela Ford para a tonalidade Mystichrome do seu GT, ou ainda os cerca de 370 a 400 mil da temática Naked Carbon, transversal a várias marcas de hiperdesportivos. Nesse patamar, o Bugatti Divo, em tom Lady Bug – tinta que leva dois anos a aplicar – custará qualquer coisa como 850.000 biscas!
Fala-se, também, nos mentideros que é um Bugatti La Voiture Noire a deter o título de “Pintura Mais Cara do Mundo”, um acabamento avaliado em qualquer coisa como 2,1 milhões de euros! Coisa pouca para quem tem múltiplos outros milhões para adquirir essa autêntica tela sobre rodas.






