Cupra Raval: ao volante do 100% elétrico mais importante da marca (e também o melhor)
A convite da Cupra Portugal, fui até Barcelona conduzir o novíssimo Raval, o seu primeiro 100% elétrico para o segmento urbano. Ainda que compacto em dimensão, o que se agradece numa utilização citadina, o Raval é enorme na personalidade, assumindo-se como a expressão máxima da atitude e carácter irreverentes que a Cupra assumiu como seus pilares fundamentais.

Construído com base na plataforma MEB+, o Raval mede 4.046 mm de comprimento, 1.784 mm de largura e 1.514 mm de altura, posicionando-se no segmento B, categoria de mercado que irá partilhar, por exemplo, com o novo Volkswagen ID. Polo, com o qual também partilha muita da sua tecnologia e componentes, bem como a linha de montagem em Martorell, Barcelona, na fábrica da SEAT S.A..
Visual aprovado nas ruas de Barcelona
O design exterior do Raval causa impacto, tendo despertado curiosidade e acenos de aprovação à sua passagem nas principais avenidas da sua cidade natal. Ainda para mais tratando-se da versão topo de gama VZ, focada na performance, com um estilo mais agressivo onde se destaca o chassis rebaixado em 15 milímetros, vias 10 mm mais largas, jantes de 19 polegadas com pneus de 235 mm e, na unidade que conduzi, pintura mate Verde Manganese.


A posição de condução é excelente, sensação para a qual contribuem as amplas regulações da coluna de direção e dos soberbos bancos CUP Bucket. No interior, a Cupra aplicou também uma quantidade significativa de materiais reciclados, bem como incorporou elementos impressos em 3D e ainda um sistema de iluminação ambiente selecionável com múltiplas cores e animações. Soluções que visam gerar uma maior diferenciação e também uma maior envolvência do condutor na experiência.
Autonomia máxima de 445 km
O Cupra Raval é proposto em quatro níveis de potência, com 115 ou 135 cavalos quando associado a uma bateria LFP de 37 kWh ou com 210 ou 226 cavalos, sendo alimentado nestas versões mais potentes por uma bateria NMC com 52 kWh. A autonomia varia, consoante a versão, entre os 318 e os 446 quilómetros.

Para este primeiro contato dinâmico, os números que interessam são os mais elevados, a bateria de 52 kWh e o motor de 226 cv e 290 Nm, os quais permitem ao Raval VZ acelerar de 0 a 100 km/h em 6,8 segundos e atingir uma velocidade máxima de 175 km/h.
Neste caso, a autonomia declarada é de 440 quilómetros, mas o teste de eficiência terá de ficar para um ensaio mais prolongado, já em Portugal. Ainda assim, com algumas acelerações bruscas, muita autoestrada percorrida e uso intensivo da climatização, os 17,5 kWh/100 km registados deixaram bons primeiros indícios a nível de eficiência.
Venham lá essas curvas
Poucos quilómetros depois de ter saído do aeroporto de El Prat dei por mim numa estrada de montanha onde, entre caravanas e ciclistas, lá surgiram alguns metros livres para testar as capacidades do Raval, os quais, prontamente, transformou em breves momentos.
Ainda que com potência inferior à oferecida por alguns dos seus rivais, não senti, em momento algum, que esta fosse insuficiente, até porque o muito impulso de aceleração é sempre bem gerido pelo autoblocante mecânico de controlo eletrónico, essencial para que o eixo dianteiro “morda” o asfalto e puxe o Raval para fora da curva eliminando com eficácia perdas de tração e mantendo as rodas da frente na trajetória certa, sem subviragem a estragar a pintura.


Também a direção progressiva e uma geometria específica no eixo dianteiro, com afinação de camber exclusiva, são garantia de maior precisão na hora de colocar as rodas da frente onde queremos. O contacto da borracha com o alcatrão é maximizado e a velocidade de passagem em curva impressiona e convida a mais.
Ágil como os pequenos, refinado como os grandes
A presença da suspensão adaptativa DCC Sport – 5% mais rígida e com 15 níveis de amortecimento à disposição do condutor – é um dos maiores argumentos do pequeno Raval, dando um grande contributo para a sensação de condução “dois em um”, pois soube ser confortável e refinado para o trânsito de final de tarde no centro de Barcelona, mas verdadeiramente ágil e empolgante nas estradas de montanha onde o conduzi durante a manhã.


Na cidade, são bem-vindas a função “One-Pedal” e as dimensões compactas do Raval, que o fazem brilhar na correria urbana como “peixe na água”. Mas a andar depressa, onde o ambiente assim o permita, o brilhantismo do seu comportamento merece ainda mais elogios, com uma agilidade e dinamismo muito acima da média no segmento elétrico e com um modo que permite desligar por completo o controlo de estabilidade, dando liberdade ao chassis para se soltar e ao condutor um maior grau de ajustabilidade, com movimentos e deslocações de massa sempre muito bem controladas pela suspensão.
Edição de lançamento, VZ Extreme, por 40.350 euros
Neste primeiro contato dinâmico, o Cupra Raval deixou-me verdadeiramente entusiasmado enquanto desportivo compacto. Podemos dizer que lhe falta uma caixa manual, o som real de um motor de combustão e as vibrações e os cheiros que sempre definiram o conceito de hot hatch. Mas dizer, na era elétrica, que um pequeno desportivo é entusiasmante, é talvez o maior elogio possível de se lhe fazer.


O Raval VZ não é o único do seu género no seu segmento. Não é, como já referi, o mais potente, nem o mais radical, mas talvez por isso tenha já garantido um lugar entre os melhores, por saber conciliar performance com eficiência e ainda um bom aproveitamento do espaço, conforto elevado e agradabilidade de utilização para o dia a dia. Tudo isto com um estilo cheio de personalidade e, melhor ainda, personalizável.
Mate, mas brilhante
A abrangência de capacidades deste Raval em particular deixou-me curioso com as restantes versões, as quais, mesmo sem a potência e chassis específico deste VZ, tenho a certeza, manterão uma grande parte do dinamismo, estético, mas também de condução. O Tavascan pode até ser o topo de gama elétrico da Cupra e o Born ser o seu bestseller sem emissões, mas o Raval é, de longe, mais relevante do que o primeiro, sendo também, do ponto de vista do prazer de condução, superior ao segundo.






