Ensaio Total: Leapmotor B10 Design Pro Max
Digam o que disserem, os automóveis chineses vieram para ficar. É certo que nem todos os fabricantes chegaram com argumentos suficientes para convencer o exigente cliente europeu, mas outros têm surpreendido com modelos cujo preço apelativo está longe de ser o seu único ou maior argumento. A Leapmotor, que na Europa se faz representar por uma joint-venture entre a marca-mãe e o Grupo Stellantis, quer ganhar no velho continente uma posição de destaque fazendo-se valer de uma gama eletrificada, tecnologia e, claro, preços verdadeiramente competitivos.


Depois do pequeno T03 e do C10, o mais recente lançamento da Leapmotor é este B10, designação algo enganadora, uma vez que, com 4.515 mm de comprimento, 1.885 mm de largura e 1.655 mm de altura, bem como com uma distância entre eixos de 2.735 mm, o B10 é um C-SUV. O design exterior tem tanto de agradável como de anónimo. Não ofende, longe disso, mas também não se diferencia, sendo óbvia a fonte de inspiração para as linhas da carroçaria. A iluminação LED dá-lhe alguma identidade e, felizmente, a Leapmotor propõe duas cores diferentes dos habituais cinzentos para a pintura da carroçaria, este Starry Night Blue, sem custos, e o Dawn Purple. As jantes são de 18 polegadas – calçadas com pneus Continental – mas parecem pequenas para o grande B10.
Chama-se B, posiciona-se no C e tem espaço de D
No habitáculo, o B10 surpreende pelo espaço e por uma sensação de qualidade acima do esperado. É certo que não possível prever como os plásticos e demais materiais como a pele sintética vão suportar a passagem do tempo e de uma intensiva utilização familiar, mas, neste aspeto, nota positiva para o SUV da Leapmotor. Atrás, os forros das portas – enormes, favorecendo o acesso ao habitáculo – contam com materiais de qualidade idêntica aos das dianteiras. O espaço abunda em todas as direções e parece haver largura suficiente para que três passageiros possam ali viajar, ainda que o lugar do meio seja penalizado pelo encosto rijo. O piso plano é uma mais-valia, mas o assento do banco de trás é excessivamente horizontal, retirando apoio às pernas.


No que à versatilidade diz respeito, o B10 merece também elogios. A bagageira oferece 430 litros de volume, bem como espaço adicional debaixo do piso. Este pode ser colocado em duas alturas distintas, permitindo não só arrumar a chapeleira por baixo, bem como criar um plano de carga ininterrupto ao rebater-se o encosto do banco traseiro. Nesta configuração, o espaço de carga expande-se a 1700 litros. O B10 dispõe ainda de um pequeno “frunk”, mas uma vez que o capot é suportado por vareta e não por um amortecedor, torna-se uma solução pouco prática. No habitáculo existem ainda vários compartimentos de arrumação, destacando-se o porta-luvas e o espaço na consola central de dimensões generosas.
Botões, nem vê-los
A partir do lugar do condutor, senti falta de um banco mais confortável. O apoio lateral é muito rijo e não há suporte lombar suficiente para as viagens mais longas. Como seria de esperar, botões físicos é algo que não abunda no B10, acumulando praticamente todos os controlos no ecrã do infotainment, o qual, felizmente, conta com um painel de atalhos rápidos para acesso fácil a algumas funções. O painel de instrumentos é digital e peca, como é “tradição chinesa”, pelos caracteres excessivamente pequenos. Em termos de conforto, destacam-se, por exemplo, o teto panorâmico e os bancos com função de aquecimento e ventilação (volante também é aquecido). A iluminação ambiente muda de cor ao fazer-se marcha-atrás, alertando para a presença de obstáculos. Uma solução original.


B10 com duas variantes de bateria elétrica
O B10 100% elétrico – também existe versão REEV, com extensor de autonomia – está sempre equipado com um motor elétrico, colocado no eixo traseiro, de 218 cv e 240 Nm. A aceleração de 0 a 100 km/h faz-se em 8 segundos e a velocidade máxima é de 170 km/h. Estão disponíveis duas opções de bateria, Pro com 56,2 kWh de capacidade e 361 km de autonomia WLTP, ou esta Pro Max de 67,1 kWh capaz de percorrer até 434 km com uma carga completa. O carregamento pode ser feito num ponto de energia AC até 11 kW ou, recorrendo-se a um posto rápido, até uma potência máxima de 168 kW. Segundo a Leapmotor, é possível elevar o nível de carga da bateria de 30 a 80% em menos de 20 minutos.


A ritmo mais elevado, num percurso maioritariamente feito em autoestrada, onde a insonorização a 120 km/h causou boas impressões, o consumo de energia estabilizou nos 16,9 kWh/100 km. Porém, até ao final deste teste, com uma maior dose de percursos citadinos, nos quais a regeneração de energia – três níveis de intensidade disponíveis – melhor funciona, foi possível descer a média de consumo combinada até aos 15,2 kWh/100 km. Considerando este valor, a autonomia real, em condições equivalentes à deste teste, situar-se-á na casa dos 440 km, confirmando a autonomia declarada pelo fabricante chinês.
Conforto, e bem, é a prioridade
No que ao comportamento dinâmico diz respeito, o B10 não gosta de ser apressado. Cumpre, com segurança e a agilidade possível de se exigir a um SUV familiar elétrico com cerca de 1850 kg de peso, mas a sua prioridade é, e bem, outra: o conforto. A bordo, fazendo-se também valer do já referido bom isolamento acústico, a experiência de viagem é bastante agradável e refinada, lamentando-se, apenas, que os bancos dianteiros não contem com um pouco mais de enchimento e o assento de trás não disponha de um pouco mais de ângulo, o que daria ainda mais pontos ao B10 na avaliação do conforto a bordo. Isto porque a suspensão, de geometria multilink no eixo traseiro, filtrou bem a maior parte das irregularidades que enfrentou.


Desde 29.285 euros
A gama do Leapmotor B10 é composta por dois níveis de equipamento, Life, disponível com ambas as opções de bateria, Pro e Pro Max, e por este Design, “sempre Pro Max”, associado ao acumulador de energia de maior capacidade. Os preços iniciam-se nos 29.285 euros do B10 Life Pro, sendo necessário pagar 2.000 euros adicionais pelo B10 Life Pro Max. Este topo de gama que conduzi é proposto por 32.785 euros, um preço extremamente apelativo por um dos mais espaçosos e bem equipados C-SUV do mercado, ainda que lhe falte, infelizmente, alguma identidade e diferenciação estética, uma lacuna que, por outro lado, pode agradar a quem não valoriza ou procura o “último grito” em termos de design e estilo vanguardista. Como se diz por aí, “muito carro pelo preço pedido”.






