FIAT Topolino: o ratinho italiano cumpre 90 anos
“Topolino” voltou a ser recentemente uma denominação amplamente conhecida pela sua presente abordagem 100% elétrica, direcionada a uma tipologia específica de clientes. Mas é o seu longínquo passado que agora se festeja, num conceito – digamos – bem mais tradicional, de mecânica pura e inovadora. Surgido em 1936, somam-se nove décadas de uma vida em pleno. Parabéns, Ratinho Velhinho!

Foi no longínquo mês de junho de 1936 que a FIAT lançou o 500, numa estreia que mudou, para sempre, a história da mobilidade dos italianos, alargando-a para lá das privilegiadas classes mais abastadas. Marcando o início da chamada “democratização do automóvel”, a sua aceitação foi tal que de imediato se viu carinhosamente apelidado de “Topolino”!



Noventa anos após o surgimento desta criação de Dante Giacosa, o “Topolino” continua a reunir entusiastas e colecionadores que mantêm vivo um legado que é parte integrante da identidade industrial e cultural da Itália, mas também um automóvel do mundo, dadas as suas características ímpares, integrando-o nos anais dessa mobilidade sobre quatro rodas.
Produzido em três séries, saíram das fábricas da marca mais de 376 000 unidades, divididas pelo antes e pelo depois das duas guerras mundiais que envolveram a Europa, fechando-se depois esse ciclo em 1955. Verdadeiro protagonista da mobilidade, tanto como carro de família, como veículo de trabalho, este modelo revolucionário passaria, depois, esse testemunho aos seus descendentes (FIAT 600, Nuova 500, etc). Mais recentemente recuperou-se a nomenclatura “Topolino”, mas sob todo um novo conceito. A este último já lá vamos!
A história de um ícone
Nascido entre os tais dois conflitos mundiais, o FIAT 500 “Topolino” pretendia ser um carro acessível, para todos os italianos, resultando de um projeto iniciado sob uma ideia ambiciosa, do então Diretor Técnico Antonio Fessia: imaginou um pequeno carro totalmente dianteiro, com motor montado à frente e tração dianteira, arquitetura altamente invulgar para a época.

Só que, contam as lendas que fruto de alguns problemas durante os testes realizados com o primeiro protótipo, houve que repensar parte do projeto, apresentando-se a solução pela cabeça do inspirado jovem Dante Giacosa, engenheiro que até então tinha trabalhado em motores de avião: alterar a configuração para algo mais tradicional, passando a tração para as rodas de trás, e mantendo-se o motor de quatro cilindros e 569 cc à frente, mas com uma solução invulgar de o posicionar à frente do eixo dianteiro e até à frente do radiador, abdicando da necessidade de uma bomba de água.


Já a distância entre eixos de dois metros proporcionava um bom espaço para duas pessoas, enquanto um pequeno banco traseiro só podia acomodar um passageiro quando o teto de lona (nas versões que o tinham) podia ser aberto.
O seu motor de 13 cv, permitindo atingirem-se os 85 km/h, estava montado na parte inferior, permitindo a criação de um capô mais afilado, tendo nos seus extremos laterais, posicionados nos pára-lamas dianteiros, os tais faróis que lembravam as orelhas do Rato Mickey, da Disney. Daí a “Topolino” foi um pulinho!

Apresentado em junho de 1936 sob o lema de “o novo pequeno grande carro para a economia e o trabalho”, o 500 revelou-se um sucesso absoluto, vendendo cerca de 20.000 unidades por ano até ao início do segundo grande conflito mundial. Findo o mesmo, retomar-se-ia a produção de um modelo que viria a evoluir, primeiro em 1948, com o 500 B mostrado em Genebra, e que sob uma carroçaria praticamente inalterada escondia um motor 30% mais potente, permitindo-lhe mais 10 km/h, tendo ainda travões melhores, amortecedores hidráulicos e um sistema elétrico renovado. Veio depois o Giardiniera Belvedere, o primeiro “Topolino” de quatro lugares, com acabamentos em madeira inspirados nas carrinhas norte-americanas e em 1949 surgia o 500 C, com faróis embutidos, uma grelha horizontal, uma cabeça de cilindros em alumínio e – uma novidade para um modelo FIAT de série – aquecimento no habitáculo. Quem diria que algo hoje tão simples chegou a ser um opcional!

Terminada a produção em 1955, mantinham-se em circulação múltiplas unidades deste veículo pequeno, revolucionário, mas também fiável. Nos anos 60 passar-se-ia o testemunho ao 600 e depois ao Novo 500. O 500 “Topolino” é hoje um valioso veículo de coleção e uma autêntica peça da história do mundo das quatro rodas.
Décadas passadas e o Topolino renasce, sob um outro prisma
Adotando uma mesma abordagem, a FIAT continua a criar hoje modelos acessíveis, adaptados às necessidades reais dos clientes e que incorporam a originalidade e o charme que sempre distinguiram a marca de Turim. Um deles é o novo Topolino, viatura que nada tem a ver com o conceito original, exceto na denominação e nos objetivos: a democratização da mobilidade, agora apontada aos pequenos veículos elétricos, no caso, os quadriciclos.




Desvendado em meados de 2023, o Topolino do século XXI apresentou-se como a solução ideal para a mobilidade urbana, numa aposta simples, com os elementos essenciais para se alcançar uma liberdade sustentável nas cidades, nas praias e noutros locais de lazer. Assente numa reduzida pegada de carbono, de espaço e ao nível sonoro, é um veículo para todos, das famílias aos mais jovens – em Portugal pode ser conduzido a partir dos 16 anos, com licença da categoria “AM” – permitindo-lhes desfrutar da mobilidade elétrica.



A atual gama nacional é composta por duas carroçarias, integral ou sem portas, ambas divididas em duas variantes. A base assenta no Topolino Verde Vita (desde 9.990 €), que se declina no abertoTopolino Dolcevita (desde 9.890 €), ambos partilhando quase tudo o resto, da cor, ao design das rodas, aos interiores e algumas opções de personalização. Há depois a versão laranja Corallo, também fechada e também desde 9.990 € e para os clientes que busquem maior requinte neste conceito podem encomendá-lo no muy exclusivo Vilebrequin Collector’s Edition (aberto, desde 13.490 €), ambas com conteúdos específicos.
“Topolino”, dois conceitos de passado e presente (futuro) com os mesmos objetivos. Parabéns, Ratinho Velhinho!






