Ensaio Sprint: Dacia Sandero Journey TCe 100
A Dacia continua a expandir a sua gama de modelos e a reforçar a sua oferta, introduzindo-lhes novidades estéticas e mais equipamento que não só os modernizam, como os aproximam, cada vez mais, dos produtos de outras marcas com posicionamento de mercado acima do da Dacia. Mesmo sem o “polimento” de outros modelos do segmento, e mesmo com o passar dos anos, o apelo do Sandero continua em alta. É a proposta perfeita para o difícil contexto atual, ainda que, tal como qualquer outro produto, automóvel ou não, já não custe o que anteriormente custava.

Quer por dentro, quer por fora, as regulares modernizações que a Dacia vem implementando mantêm o Sandero como um utilitário muito agradável à vista e cada vez mais bem equipado. Nesta mais recente intervenção, destaca-se a nova assinatura luminosa, à frente e atrás, novas saídas de ar no habitáculo, novo ecrã tátil de 10” para o sistema multimédia, carregamento sem fios de smartphones e ainda a solução YouClip, já conhecida de outros modelos, para colocação de acessórios compatíveis. Em termos de segurança, o Sandero também conta com travagem automática de emergência e alerta de atenção do condutor.


No habitáculo desta versão Journey, é impossível não elogiar a presença de acabamentos a imitar ganga azul, introduzindo contraste e cor ao ambiente interior. Aplauda-se, igualmente, a inclusão de um botão “My Safety” que permite ao condutor aceder às suas configurações personalizadas de assistência à condução, bem como a presença de comandos convencionais da climatização que são, num momento de tantas inovações desnecessárias que é transversal a quase todo o setor, absolutamente perfeitos. Já a qualidade de som do sistema multimédia, por oposição, é fraca, abaixo do que seria de esperar em 2026, mesmo numa configuração base.


Ao volante, começo por destacar algo que continua a ter margem de melhoria, a posição de condução. Isto porque, colocando-se o banco na posição mais baixa, é notória a falta de suporte para as pernas na frente no assento. O conforto oferecido pela suspensão é mais do que adequado ao quotidiano, mas relativamente à concorrência, sente-se, obviamente, menos refinamento a bordo do Sandero. O motor a gasolina, com 100 cv, mostra-se sempre muito enérgico, inclusivamente no modo Eco. O consumo em percurso misto ficou-se por uns agradáveis 6,5 l/100 km. Já o comando da caixa de 6 velocidades é, ainda que leve, algo vago e a resposta da direção é também menos precisa do que a de outras opções do segmento.
O conforto no banco traseiro coloca o Sandero muito bem posicionado comparativamente aos seus rivais. Considerando as suas dimensões exteriores, dispõe de níveis de habitabilidade bons e o banco é também bem desenhado, suportando bem as pernas. Até a pequena elevação no piso, debaixo dos bancos dianteiros, aumenta o conforto de quem ali viajar. A bagageira oferece 328 litros de espaço, um piso amovível e, abaixo deste, um “luxo” imprescindível de que muitos outros automóveis já não dispõem: uma roda sobressalente. A chapeleira e alguns acabamentos do compartimento de carga denunciam o posicionamento inferior do Sandero.


Ainda assim, é inegável que os automóveis da Dacia estão cada vez melhores. O Sandero, o modelo preferido do cliente particular europeu, é disso um bom exemplo. É certo que, aqui e ali, se sentem diferenças – por exemplo, na qualidade dos acabamentos e no menor refinamento de rolamento – comparativamente a outros modelos do segmento. Mas o Sandero é, na minha opinião, também por este motivo, um dos automóveis mais importantes dos últimos anos. E, considerando a conjuntura atual, continuará, certamente, a sê-lo.

Porque este é, quiçá, o modelo que melhor expressa uma resposta adequada às necessidades diárias da maior parte das pessoas, um público cuja disponibilidade financeira reduzida limita a escolha, mas também cujas exigências de mobilidade ficam quase totalmente correspondidas com um automóvel de dimensão adequada à cidade e às maiores viagens pontuais, com níveis de segurança e eficiência modernos, um veículo que é suficientemente espaçoso e potente e que tem também um preço que, ainda que maior do que anteriormente, não assusta e deixa o cidadão comum (cada vez menos, é certo) sonhar com a possibilidade de comprar um novo carro.
- Dacia Sandero TCe 100 a partir de 16.150 euros
- Unidade ensaiada – 20.157 euros






