Ensaio Sprint: Opel Mokka GSE
Diferenciar experiências de condução de modelos que partilham plataforma, motores e outros componentes como sistemas de direção e geometrias de suspensão não é tarefa fácil. Esse exercício torna-se ainda mais exigente no caso de automóveis 100% elétricos, cuja ausência de som, por exemplo, e de uma transmissão com a qual interagir, podem transformar a sua condução em algo exageradamente desconectado ou excessivamente idêntica à do modelo com o qual partilha componentes.


E se estivermos a falar de desportivos, a tarefa ganha toda uma nova dimensão, pois todas as afinações e calibrações que se exigem são aqui feitas com mais minúcia, procurando ganhar décimas de segundo ao cronómetro ou uma maior quantidade de sorrisos por quilómetro. Nos modelos de grande volume, como o 208, o 600 ou o Avenger, a Stellantis tem feito um bom trabalho para dar aos seus automóveis uma personalidade distinta, mas agora que está a apostar em força nos desportivos 100% elétricos, a exigência da diferenciação torna-se mais evidente e necessária.


Depois de ter conduzido o Abarth 600e Scorpionissima no Kartódromo de Palmela, bem como de ter passado alguns dias na companhia do Alfa Romeo Junior Elettrica Veloce 280, testei recentemente o novo Opel Mokka GSE, desportivo que com eles partilha a plataforma e a motorização de 281 cavalos e 345 Nm, mas cuja afinação global me pareceu, dos três, a mais equilibrada. Não duvido que o Abarth seja o mais rápido em circuito e que o Junior seja um automóvel mais especial de apreciar, seja estático, seja ao volante. Mas o Mokka convenceu-me, admito.
Gostei que, exteriormente, ainda que mais desportivo, o GSE mantenha o Mokka algo discreto, com uma dose adequada de “lobo em pele de cordeiro” que impressiona os mais distraídos. A direção é ligeiramente menos rápida do que nos primos italianos e isso também torna a condução no quotidiano menos “nervosa”, faltando-lhe apenas um volante de aro mais grosso, com visual e acabamento mais desportivos, mais em linha com a abordagem GSE. A ritmo normal e com recurso ao modo Eco, até a média de consumo de 14 kWh/100 km é digna de um Mokka Electric.


Subindo-se o ritmo, algo a que é muito difícil resistir, o Mokka GSE, ainda que menos radical em termos de amortecimento que a dupla italiana, continua a ser muito ágil e divertido de explorar. O autoblocante garante a tração e o aliviar repentino do acelerador solta a traseira. No dia a dia, contam mais estes sorrisos por quilómetro do que as décimas do cronómetro e talvez por isso, na estrada certa, o Mokka GSE me tenha convencido tanto. Não é um Mokka confortável, mas também não é insuportável. Também os bancos, menos impressionantes do que os Sabelt do 600 e do Junior, é certo, são muito melhores para o quotidiano.
O Mokka é, na minha opinião, um modelo injustamente pouco lembrado no nosso país. Faz parte da lista dos 50 modelos mais vendidos em Portugal até ao momento em 2026, mas apenas por pouco. Tem argumentos para estar muito mais acima na lista, no top 10, facilmente. E agora não me refiro, obviamente, ao GSE, pois conduzi-o recentemente com a motorização híbrida numa viagem ao Algarve e o consumo ficou-se pelos 6 l/100 km. Em cidade, consegui 4,7 l/100 km de média e entre 30 a 40% dos muitos percursos citadinos realizados foram feitos em modo elétrico.


O espaço no banco traseiro do Mokka não é brilhante, mas diga-se a verdade, não o é em nenhum dos modelos Stellantis construídos sobre esta plataforma. Apesar da postura SUV, a posição de condução não é exageradamente alta e esteticamente continua a ser um dos modelos do segmento mais bonitos e com mais personalidade. Não me parece que seja o GSE que venha alterar a situação do Mokka no mercado nacional, mas tal como as versões sem quaisquer aspirações desportivas, o GSE tem imensas qualidades que, infelizmente, aposto, vão passar despercebidas à maior parte de nós.






