Ensaio Total: Smart #1 Premium
O #1 é o primeiro modelo da nova era da Smart e é também o primeiro SUV da história da marca. Representa uma mudança de paradigma na sua estratégia e também assinala a sua entrada num dos segmentos mais importantes do mercado, pelo que a sua visita à Garagem, uma outra estreia, era uma oportunidade pela qual há muito ansiava.

O Smart #1 é construído com base na plataforma SEA da Geely – a mesma base, por exemplo, do Volvo EX30 – e os seus compactos 4,27 metros de comprimento escondem um habitáculo cheio de boas surpresas, desde o espaço disponível a bordo, passando pela ainda versatilidade de utilização e pelo muito equipamento proposto nesta recheada versão Premium. Foi, em 2025, o modelo mais vendido da Smart, lugar que poderá vir a ceder, a curto/médio prazo, ao futuro #2.
Estilo limpo e depurado. Mais espaço do que se possa pensar
Opto quase sempre por não avaliar o design exterior, uma vez que, salvo raras exceções, não há “bom”, nem “mau”, existindo sim, estilos diferentes que podem ou não agradar a cada um de nós. No caso do #1, não sendo o design mais irreverente e apaixonante do segmento, apreciei a dedicação da Smart em tentar diferenciar o seu primeiro SUV da concorrência, resultando num conjunto muito agradável à vista, com superfícies curvas e limpas e muitos elementos contrastantes.

A maior surpresa surge assim que se acede ao banco traseiro. Com uma distância entre eixos de 2,75 metros, o #1 disponibiliza um dos habitáculos mais espaçosos do segmento, destacando-se o muito espaço disponível para cabeça. O banco pode ser regulado longitudinalmente e, em caso de necessidade, ainda é possível viajar com algum conforto mesmo se este for posicionado todo para a frente. Fiz o teste, considerando a minha posição de condução, e ainda me consegui sentar “atrás de mim”. As janelas traseiras não abrem na totalidade, infelizmente.


A capacidade da bagageira varia entre os 273 e os 411 litros graças ao banco deslizante e debaixo do piso da bagageira há ainda muito espaço útil para colocar objetos. Infelizmente não é possível ajustar o nível de carga, mas ao rebater-se o banco cria-se um plano ininterrupto, sem degraus. Nas laterais da bagageira existe ainda espaço extra para arrumar acessórios e o “frunk” complementa com 15 litros de espaço adicional.
Interior sereno e confortável
O tema das superfícies limpas da carroçaria estende-se ao tablier, consola central e forros de portas. No que diz respeito a materiais, o #1 combina vários que são agradáveis ao toque com outros menos nobres nas zonas menos visíveis, o que se aceita. Em termos de qualidade de montagem, nota positiva para o mais pequeno dos Smart atualmente à venda, avaliação que estendo ao volante, bonito e com muito boa pega. O painel de instrumentos digital é pequeno, mas a sua legibilidade é, diga-se, muito boa. Do lado esquerdo do volante está posicionado o controlo das escovas limpa para-brisas e à direita está o comando da transmissão.

Excelente sistema de infotainment
Um dos pontos altos da experiência com o Smart #1 foi, sem dúvida, o seu sistema de infotainment. Este é, não só, bem complementado por atalhos táteis na base do display, como conta com um grafismo extremamente apelativo que introduz cor e animação numa vertente que é, na maior parte dos automóveis atuais, muito fria e impessoal. A informação é apresentada de forma clara, os menus estão bem pensados e estão disponíveis controlos rápidos para algumas das funções mais usadas, o que denota a preocupação dada ao desenvolvimento daquela que é, atualmente, uma das vertentes mais valorizadas de um automóvel.

Eficiência surpreendente
O design simpático do #1 esconde um motor elétrico de 272 cavalos, colocado sobre o eixo traseiro, o qual é alimentado por uma bateria de química NCM de 62 kWh de capacidade útil. A Smart declara um consumo médio de 16,8 kWh/100 km, mas neste teste a média foi mais baixa, apenas 14 kWh/100 km. Estão disponíveis três modos de condução, três níveis de intensidade de regeneração de energia, bem como um modo que permite conduzir apenas com recurso a um pedal, este último com muito boa calibração e funcionamento.


Ao volante, senti por vezes o excessivo balancear da carroçaria tão típico dos pesados elétricos, mas no caso do #1, cujo peso ronda os 1.800 kg, essa sensação nunca chegou a ser incomodativa. A suspensão lida bem com a grande parte dos obstáculos que um SUV urbano normalmente enfrenta em cidade, como as intermináveis lombas e tampas de esgoto, conferindo-lhe ainda um nível de agilidade muito adequado à potência disponível debaixo do pé direito.

Smart #1 desde 36.450 euros
Tal como referi acima, no #1, são muitos os argumentos “compactados” em pouco mais de quatro metros. Para além da facilidade de condução, com potência mais do que suficiente e sem exageros, e de níveis de eficiência convincentes, destaco ainda a dotação de equipamento, o sentido prático e o muito espaço disponível no banco de trás. Um SUV de imagem moderna, com um interior funcional, capacidade de carregamento a 22 kW através de uma wallbox – e até 150 kW num posto DC – e um dos melhores e mais agradáveis sistemas de infotainment com que já me cruzei. Esta versão Premium está disponível a partir de 46.950 euros, mas a Smart propõe o #1 desde 36.450 euros.






