Novo Koenigsegg CCGT1: O tributo ao carro de corrida que nunca o pôde ser
A Koenigsegg acaba de apresentar o novo CCGT1, um superdesportivo que presta tributo ao icónico – e infelizmente nado-morto – projeto de competição CCGT, que a marca sueca desenvolveu para a categoria GT1 de Le Mans de 2007, mas que nunca viu a luz do dia, fruto de mudanças repentinas das regras em vésperas do seu lançamento desportivo. Em 2026 é não só anunciado o regresso a certas competições do único CCGT existente no planeta, como da entrada em produção do CCGT1, o modelo que lhe presta tributo.
O desejo de Christian von Koenigsegg de participar em corridas de resistência ficou claro desde o início dos seus esforços no mundo dos modelos superdesportivos. Estudando meticulosamente o regulamento GT1 das 24 Horas de Le Mans de 2006, concebeu o primeiro protótipo “CC”, aplicando dimensões em termos de largura e área frontal de forma a cumprir, desde logo, com as regras então em vigor, para que não fosse necessário alterar esses parâmetros na eventualidade de vir a desenvolver alguma versão de competição. Entretanto aplicada nos modelos CC8S e o CCR, a norma ver-se-ia depois alargada a um projeto de competição para corridas de resistência, surgindo o Koenigsegg CCGT no Salão de Genebra de 2007.

Trabalhando em conjunto com o engenheiro Dag Bölenius, Christian von Koenigsegg desenvolveu o CCGT para ficar bem abaixo do limite de 1.100 kg de peso definido para a categoria LMGT1, ficando próximo da tonelada e, assim, com margem para que se pudesse usar lastro onde tal fosse necessário, de modo a obter um equilíbrio do conjunto ideal em pista. O projeto com que a marca queria partir à conquista das 24 Horas de Le Mans contava com um bloco V8 de 5,0 litros, naturalmente aspirado, concebido para produzir 600 cv em configuração de corrida, o máximo permitido, aplicados às rodas traseiras através de uma caixa de velocidades sequencial em magnésio, com uma configuração aerodinâmica que gerava mais de 600 kg de downforce.

Usando Loris Bicocchi como piloto de testes para os primeiros ajustes em pista, o CCGT desde logo demonstrou muito do seu potencial, deixando por demais satisfeitos os responsáveis da marca. Só que seria sol de pouca dura pois nesse mesmo ano a FIA e o ACO decidiam introduzir alterações bastante significativas na regulamentação da categoria GT1, matando o projeto sueco, antes mesmo do modelo se estrear oficialmente em competição.

A produção mínima para homologação passou de 20 unidades de estrada, a produzir ao longo de vários anos, para um mínimo obrigatório de 350 automóveis por ano, regra que, na prática, passou a excluir, de imediato, todos os fabricantes independentes de baixo volume, como a Koenigsegg. Baniram-se, também, as monocoques em fibra de carbono, estrutura de base do CCGT, entre outras alterações radicais que tornaram o único protótipo concluído do CCGT ilegal e inelegível para competições, antes mesmo da sua estreia em competição. Na altura com apenas essa unidade finalizada, o CCGT tornou-se numa lenda do tipo “What if…” no historial das corridas de resistência, levando a marca a arquivar o programa de competição, para que depois, mais tarde, vendesse a viatura.

Na posse do primeiro proprietário ao longo de 15 anos, o CCGT viria a reaparecer num leilão da Bonhams no Goodwood Festival of Speed de 2023, no Reino Unido, onde seria arrematado por 3,319 milhões de libras esterlinas (cerca de 3,872 milhões de euros) por um colecionador norte-americano que agora o pretende usar em encontros de veículos históricos de resistência, nomeadamente da categoria GT1. Cerca de 20 anos depois o CCGT poderá, por fim, ir a meças com algumas das viaturas que, na altura, integravam essa categoria, como o Aston Martin DBR9, Chevrolet Corvette C5-R e C6-R, Saleen S7-R, Ferrari 550 GTS Maranello e Lamborghini Murciélago R-GT.
Para a estrada e para os circuitos: o novo CCGT1
Passadas quase duas décadas, a Koenigsegg decide reavivar essa memória e apresenta ao mundo o CCGT1, no âmbito do “Monterey Car Week”, evento que decore na Califórnia, nos EUA, num superdesportivo de estrada que presta uma homenagem moderna ao que pode muito bem ser considerado o projeto mais ambicioso que a Koenigsegg alguma vez empreendeu com o efémero CCGT.

Assente na base do modelo CC850 – por sua vez homenagem ao CC8S, com que a Koenigsegg se deu a conhecer ao mundo – o CCGT1 transporta o nome e o espírito do CCGT para um automóvel de características estratosféricas, com homologação para circulação em estrada. Prometendo uma experiência de condução excecional no quotidiano, pode ver-se apimentado com um track package opcional, elevando essa experiência para um outro patamar de emoções.

Com uma aerodinâmica inspirada na competição, que gera até 800 kg de força descendente a 250 km/h – colocando o CCGT1 entre o Jesko Attack e o Sadair’s Spear em termos de máximo downforce – proporciona uma aderência otimizada e acessível com pneus slicks. Uma nova asa traseira ativa, com 30 graus de ajuste automático, alterna entre os modos low-drag, air-brake e high-downforce sem intervenção do condutor.


Em termos mecânicos, o CCGT1 conta com um motor V8 biturbo da Koenigsegg, com 1.280 cv, quando usando combustível convencional, ou 1.600 cv se recorrendo a biocombustível E85, integrando um sistema de arrefecimento adicional para um desempenho máximo sustentado em circuitos. Com homologação para estrada, conta com uma resposta e sonoridade surpreendentes, proporcionando uma experiência completa bem ao estilo dos antigos modelos da categoria GT1.

Um sistema totalmente novo, o Koenigsegg Sequential Shift (KSS) baseado na tecnologia Light Speed Transmission (LST), inclui um pedal de embraiagem para os arranques e cortes de ignição para passagens de caixa sem embraiagem, tal como no CCGT original. Pode também configurar-se com a caixa manual de seis velocidades Engage Shift System (ESS) do modelo CC850, podendo ter patilhas e mudanças automáticas em ambas as configurações. Os Modos de Condução estão disponíveis através de um seletor na consola central, com a sigla ASMR (Auto, Sequencial, Manual e Reverse).

Destaque-se, por fim, o track package opcional da Koenigsegg, concebido de fábrica, incluindo pneus slicks, uma roll-cage em carbono, baquets de competição, macacos pneumáticos, registo de dados e muito mais, conjunto que transforma o CCGT1 no Koenigsegg mais rápido de sempre.
“O CCGT1 é um modelo com duas identidades bem definidas. Na estrada, é um Megacar sublime, simultaneamente confortável e incrivelmente capaz. Mas as suas origens estão enraizadas nas corridas de resistência, sendo aí que o CCGT1 revela todo o seu carácter como uma verdadeira homenagem ao CCGT original, com ou sem tejadilho”, refere Christian von Koenigsegg.
Por fim o preço (estimado) deste novo superdesportivo que a Koenigsegg irá produzir em 70 unidades: 3 milhões de dólares norte-americanos, ou cerca de 2,6 milhões de euros ao câmbio atual. Só ao alcance de alguns, como habitualmente nestes casos extremos!






