SEAT Leon TDI usado: guia de compra, problemas comuns e melhores anos
A SEAT lançou no mercado a quarta e atual geração do seu bem-sucedido compacto de segmento C há sensivelmente seis anos, apostando numa gama composta por motorizações a gasolina, com e sem eletrificação, bem como por propulsores Diesel, os icónicos motores TDI que, importa relembrar, garantiram ao Leon de segunda geração dois títulos mundiais consecutivos no Campeonato do Mundo de Automóveis de Turismo, em 2008 e 2009.

Mais de 25 anos depois do seu lançamento original, o Leon continua a apostar nas motorizações TDI, fazendo parte do restrito grupo de modelos do segmento C que ainda não deixou cair os propulsores a gasóleo, mesmo dispondo atualmente de soluções híbridas plug-in na gama.
A primeira passagem do Leon pela Garagem data precisamente de 2020, um ensaio a unidade equipada com motorização eTSI, com tecnologia mild hybrid, num Leon que agradou pela inequívoca evolução em termos de design, digitalização e eficiência, mas, como sempre, pelo desempenho dinâmico proporcionado por um chassis muito bem afinado, um conjunto nesta geração desenvolvido com base na plataforma MQB Evo do Grupo Volkswagen.

O Leon regressou posteriormente à Garagem para colocarmos à prova as então novas motorizações e-Hybrid, que elevaram a presença da vertente eletrificada com tecnologia híbrida plug-in, e sensivelmente um ano depois do seu lançamento no mercado, momento em que o modelo da SEAT conquistou o galardão de Carro do Ano em Portugal, conduzimos pela primeira vez o Leon TDI.
A unidade que nos foi cedida para testar, de nível de equipamento FR, equipada com sistema de amortecimento variável DCC, impressionou pela abrangência de capacidades do chassis, combinando um elevado conforto de rolamento com a agilidade e dinâmica acima da média que já lhe reconhecíamos, bem como pelos consumos baixos, mesmo quando o ritmo da condução é elevado.
Problemas comuns. Antes de comprar, verifique:
- Filtro de partículas – É impossível dissociar a sigla TDI da enorme reputação de fiabilidade que construiu ao longo dos anos. Porém, com normas cada vez mais restritivas em termos de emissões ambientais, as mais recentes gerações das motorizações a gasóleo de origem Volkswagen, como as da quarta geração do Leon, estão equipadas com filtro de partículas, um elemento que, como em muitos outros modelos de outros fabricantes, requer atenção especial. Unidades quase exclusivamente utilizadas em cidade, com percursos curtos regulares, poderão ter o filtro em pior estado de conservação devido a ciclos de regeneração constantemente interrompidos.
- Turbocompressor, EGR e injetores – Uma manutenção cuidada, feita regularmente, a tempo e horas, respeitando as indicações do fabricante, não é garantia total de que problemas não possam surgir, mas é a melhor forma de assegurar uma redução da probabilidade dessa sua ocorrência. Abra o capot e procure por sinais de fugas de óleo. Com o motor a trabalhar, preste atenção ao ruído de funcionamento. Este deverá ser regular, sem oscilações. Um ralenti instável poderá ser um indício de falha no sistema de injeção. Existem igualmente alguns relatos de fugas de ar nas ligações ao intercooler, pelo que, no “obrigatório” test drive, acelere em condições de segurança e garanta que a entrega de potência é progressiva e que o motor não entra em “modo de segurança” devido a excesso de pressão de sobrealimentação, por exemplo.
- Sistema de Infotainment – Este é, provavelmente, o ponto menos bom da quarta geração do Leon, especialmente nas primeiras unidades, de 2020 e 2021. São várias as ocorrências reportadas devido a displays centrais que teimam em não iniciar, menus que não abrem e funções que, estando exclusivamente disponíveis através de controlo tátil, deixam de estar disponíveis, sendo necessário parar a viatura, desligar o motor e ligar novamente. Foram depois implementadas atualizações de software que resolveram a maior parte dos problemas, pelo que uma unidade produzida a partir de 2022 deverá ser uma compra mais segura relativamente a este item. A partir de 2024, a barra tátil para controlo da temperatura e volume, abaixo do display, passou a contar com retroiluminação, uma boa evolução.

Preços
Após uma breve pesquisa nos principais sites nacionais de classificados, rapidamente encontrámos unidades do Leon TDI bastante apetecíveis. O exemplar mais barato que encontrámos, um Leon TDI Style de 2022, importado, com 195 mil quilómetros, é proposto por 14.750 euros. No outro extremo surgem alguns Leon TDI FR com motor de 150 cv com preços entre os 24.000 e os 26.000 euros, mas matriculados em 2020. O preço médio posiciona-se entre os 16.000 e os 19.000 euros.

A nossa escolha
Optaríamos sempre pela versão mais potente do motor TDI e pela igualmente mais apelativa variante FR, produzida após 2022. Mas considerando o seu custo superior, bem como o facto de os argumentos do Leon não serem exclusivos do mais desportivo “Formula Racing”, escolhendo a unidade certa, se possível com histórico de manutenção comprovado, dificilmente se fica mal servido com um Leon TDI de quarta geração. E, claro, não esquecer que o Leon está igualmente disponível na versão de carroçaria ST para quem precisa de mais espaço de bagageira.
🟢 Mais
- Design ainda muito atual
- Comportamento dinâmico excecional
- Performance e eficiência do motor TDI de 150 cv
- Funcionamento da caixa DSG
🔴 Menos
- Poucos controlos táteis no habitáculo
- Sistema de infotainment pouco intuitivo
- Qualidade de alguns plásticos no interior
- Nível de conforto sobre piso irregular (sem amortecimento variável)


