Ensaio Sprint: Volkswagen ID.7 Tourer Pro 77 kWh
Não tenho em minha posse os números de vendas acumuladas do ID.7 em Portugal, mas aposto que estes não chegam para traduzir de forma justa os seus muitos argumentos e o seu elevado nível de qualidade geral. Regressar ao topo de gama 100% elétrico da Volkswagen, agora na silhueta station wagon Tourer, fez-me rapidamente recordar o quanto apreciei conduzi-lo da primeira vez. É verdade que sou um defensor do automóvel elétrico pequeno, mas no caso do ID.7 tenho de abrir uma exceção. É um excelente automóvel, infelizmente, algo esquecido.


Desde logo porque aprecio o design minimalista e, para muitos, pouco emocionante da família ID. Aos meus olhos, “funciona”, e “funciona” especialmente bem nesta cor Azul Aquamarine. O ID.7 é enorme, mas é elegante, com boas proporções e sem elementos supérfluos. Talvez apenas as jantes, de estilo pouco inspirado, pareçam um pouco pequenas demais, ainda que sejam de 19 polegadas. Porém, ao prescindirem de pneus de perfil exageradamente baixo, contribuem para o bom nível de conforto nesta unidade do ID.7 sem amortecimento variável, tecnologia sem a qual, diga-se, até vive bem.


Ao dispor de uma verdadeira porta traseira, o ID.7 já possibilita um muito bom acesso aos seus 532 litros de bagageira, pelo que a vantagem da Tourer, com 545 litros de volume disponível, acaba por ser o maior espaço disponível acima da linha da bagageira. A vantagem torna-se mais óbvia com o rebatimento dos bancos: o ID.7 oferece 1.586 litros de espaço e este ID.7 Tourer eleva a fasquia para 1.714 litros, uma diferença, aqui sim, considerável. No banco traseiro, o espaço abunda em todas as direções, permitindo até que se possa viajar de perna traçada e o lugar central só não é mais confortável devido ao encosto rijo, o qual esconde o apoio de braço rebatível. As janelas abrem na totalidade, uma raridade.

Ainda que pese perto de 2.200 kg, o ID.7 Tourer voltou a surpreender pela eficiência com um consumo médio de energia de apenas 16,1 kWh/100 km. A aerodinâmica elaborada e uma silhueta não SUV, aliadas ainda a um excelente modo automático de regeneração de energia justificam-no. A bateria de 77 kWh suporta uma potência máxima de carregamento DC de 175 kW, sendo também possível utilizar uma wallbox ou carregador AC de até 11 kW. O motor traseiro de 286 cv e 550 Nm chega e sobra para mover o grande ID.7 Tourer, garantindo uma aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 7 segundos. A velocidade máxima é de 180 km/h.


A bordo, sem dispor de materiais e acabamentos premium, convence com uma qualidade de montagem sem reparos e com bons detalhes, como os compartimentos das portas forrados. Atrás, os materiais usados são equivalentes aos dos lugares da frente. Já o painel de instrumentos continua a ser muito pequeno para a dimensão do ID.7 e a qualidade de imagem da câmara traseira podia também ser bastante melhor. A posição de condução é muito agradável, não tão baixa como numa berlina a combustão, mas felizmente não tão alta como num SUV. Dinamicamente, a muita competência do ID.7 só é excedida se forçarmos demasiado a aderência lateral dos pneus, forçados a suportarem mais de duas toneladas, relembro.

Apreciei, tanto quanto esperava, voltar a conduzir o ID.7. Dentro do seu segmento, é um dos meus modelos preferidos, sendo um elétrico com verdadeiras capacidades estradistas, muito estável, refinado e espaçoso. Ainda assim, apesar de grande e pesado, mostra-se também eficiente e ágil, não sendo um daqueles grandes automóveis que evitamos utilizar em ambiente citadino. O ganho em versatilidade comparativamente à berlina não é tão óbvio como habitualmente, mas isso, como vimos, não é um “defeito” da carroçaria Tourer. Agradou-te? Este “CA47CZ” tem um custo de 61.508 euros, incluindo os 765 euros da pintura (bem gastos, repito).






