Ensaio Sprint: Audi Q5 Sportback TDI quattro S tronic
Este é um daqueles automóveis que, ainda à distância, bem antes de me instalar no habitáculo e de o conduzir, causa uma imediata boa sensação. Até eu, algo imune aos argumentos defendidos pelos fãs de carroçarias SUV, não posso negar o apelo deste muito bonito – e exteriormente muito bem configurado – Audi Q5 Sportback. A pintura em Azul Navarra, com um custo de 1.155 euros, bem como as jantes Audi Sport de 21 polegadas (4.420 euros) contribuem, e de que maneira, para isso.


Mas ainda que lhe reconheça o apelo estético, custa-me aceitar a ideia de se desenvolver um SUV com base numa berlina, o espetacular A5, prometendo-se mais espaço e versatilidade, e depois modificar-lhe a traseira para, ainda que com maior altura ao solo, regressarmos a uma silhueta de carroçaria não SUV que justifica a designação Sportback. Mais do que não entender os fabricantes, que só procuram responder ao mercado e às suas exigências, não compreendo o cliente. Posto isto, assumo, esta terceira geração do Q5 está esteticamente muito bem conseguida.


O interior é igualmente impactante, com a digitalização a ocupar um especial lugar de destaque na unidade ensaiada, equipada com três grandes displays ao longo do tablier, um a mais do que necessário, diga-se. A posição de condução é elevada relativamente à estrada, mas a bordo, senti-me sempre bem posicionado relativamente ao volante, pedais e restantes controlos. Já os enormes retrovisores exteriores nunca me deixaram muito confortável na aproximação de cruzamentos ou passadeiras de peões.


O conforto no banco traseiro é relativo. O banco é muito bem desenhado e conta com ajuste longitudinal e do ângulo do encosto, mas o espaço é apenas suficiente, com os volumosos bancos dianteiros a prejudicarem também essa sensação. O lugar central é, como habitualmente, muito prejudicado pelo túnel central e o rebatimento do banco permite criar um plano de carga sem interrupções e expandir os já bons 515 litros de capacidade da bagageira para um total de 1.415 litros.


Dinamicamente, o Q5 deixou muito boas sensações. A velocidades baixas e sobre piso muito degradado senti falta da abrangência de capacidades do sistema de amortecimento variável, é certo, mas nunca ao ponto de ter de usar aqui a palavra “desconfortável”. Por outro lado, subindo-se o ritmo, o SUV da Audi rapidamente impressionou, mostrando elevadíssimos níveis de aderência lateral – pneus Michelin Pilot Sport 4 de medida 255/40 – e um muito bom controlo da deslocação de massas, com um rolamento de carroçaria mínimo.
A direção é também muito rápida e permite colocar o eixo dianteiro com precisão, sendo depois possível acelerar com confiança porque os 204 cv e 400 Nm do motor 2.0 TDI são rapidamente passados ao asfalto através da sempre rápida e suave caixa DSG, contando-se constantemente com a muita motricidade assegurada pelo sistema de tração integral quattro. Nada se perde, tudo se transmite. Entre os modos de condução habituais, está também disponível um “Offroad Plus”, mas, por favor, com estas jantes não. Em termos de consumos, com o contributo da tecnologia mild hybrid, fechei o teste com uma média de 7 l/100 km.


Um produto de qualidade inquestionável. É assim que vejo a mais recente geração do Q5, um automóvel que, repito, com a configuração testada, e ainda que seja uma silhueta de carroçaria para a qual veja pouca justificação, me agrada e muito. É certo que dispensava alguns elementos como o terceiro ecrã digital e um ou outro extra, mas saber que o preço base são 55.300 euros e que depois de adicionado o equipamento opcional que o transforma neste belíssimo exemplar, bem como os sempre tão simpáticos impostos, o preço final sobe 106.360 euros, é algo que me custa aceitar.






