Ensaio Sprint: Volkswagen ID.3 GTX Fire & Ice 286 cv
Estávamos em 1990, em plena fase da reunificação da Alemanha, quando a Volkswagen lançou no mercado a edição especial Fire and Ice do Golf, modelo que, na altura da queda do muro de Berlim, contava já com 15 anos de história.
Esta versão especial da icónica segunda geração do Golf foi desenvolvida em colaboração com Willy Bogner, empreendedor, realizador de filmes e designer de roupa, contando com detalhes estilísticos exclusivos como a pintura da carroçaria de cor violeta, jantes especiais, spoiler dianteiro e frisos nos guarda-lamas e embaladeiras que alargavam visualmente a carroçaria. Estava disponível com motores de 90 a 160 cv e venderam-se 16.700 unidades, bem mais do que as 10.000 inicialmente previstas.

Eis que, 34 anos depois, a Volkswagen decide recuperar o nome e aplicá-lo num show car do ID.3 revelado no evento ID. Treffen em Locarno, antecipando a versão de produção lançada na Alemanha há exatamente um ano e que tive agora oportunidade de conduzir.

Tal como o original, este ID.3 foi desenvolvido em colaboração com a marca de roupa desportiva Bogner Fire+Ice e “veste”, por isso, elementos especiais que lhe conferem este visual muito diferenciador que, mesmo não sendo ao gosto de todos, não o deixa passar despercebido. E num mercado automóvel que é, pelo menos por cá, cada vez mais a preto e branco, só pode ser positivo conduzir um automóvel de personalidade colorida e contrastante como este.


No exterior, destaca-se a belíssima pintura metalizada Ultra Violet, bem como o contraste conseguido com o friso do tejadilho em Flaming Red. As jantes de 20 polegadas são específicas, têm acabamento exclusivo com pintura interior na mesma cor da carroçaria e contam, nesta versão de 286 cv – também está disponível em variante de 326 cv – com pneus de medida 215/45.


Ainda no capítulo estético, destacam-se os autocolantes no pilar C e o logótipo Fire and Ice de 1990 colocado no topo do aileron traseiro. Os farolins escurecidos são também exclusivos deste ID.3 cuja produção está limitada, por motivos óbvios, a 1990 unidades.
Com uma abordagem às assimetrias felizmente muito diferente das sociais e económicas que marcaram a paisagem de Berlim não só, mas principalmente a partir de 1961, o habitáculo do ID.3 Fire & Ice caracteriza-se igualmente por subtis diferenças estéticas entre um lado e outro da linha imaginária que o divide a meio.


Do lado do condutor, os acabamentos dos bancos e as costuras no tablier e forros das portas, bem como os tapetes são de cor “On Fire Red” e do lado do passageiro a cor dominante é o “Keep Cool Blue”. Também o padrão do forro dos bancos reproduz o estilo dos casacos da Bogner Fire+Ice, inclusivamente o fecho, ao centro do estofo.
Mantendo todos os argumentos de um ID.3 convencional, a assinatura Fire+Ice garante-lhe um estilo verdadeiramente diferenciador, mas a sigla GTX, versão desportiva sobre a qual foi desenvolvida, é também garantia de performance acima da média na sua gama.


Impressiona pela disponibilidade e capacidade de aceleração, à qual os 545 Nm de binário não são alheios, e mesmo sem o opcional amortecimento variável – de série na versão mais potente – o chassis GTX, com afinação específica, nunca se sente exageradamente rijo para o dia a dia, conferindo-lhe, isso sim, muita agilidade e dinamismo.
No que diz respeito a consumos, consegui fechar o ensaio com 14,1 kWh/100 km de média. E com 79 kWh de energia disponíveis numa bateria totalmente carregada, este valor traduz-se numa autonomia real de 560 quilómetros.


O conceito de desportivo elétrico é ainda algo difícil de interiorizar, mas mesmo não sendo um Golf GTI, a verdade é que este ID.3 é um compacto de elevada performance muito divertido de utilizar no quotidiano, mais ainda na estrada certa. Até à chegada do ID.3 GTI, com lançamento previsto para 2027, este GTX Fire+Ice é o mais especial de todos ID.3. Custa 51.887 euros, mas, relembro, só serão produzidas 1990 unidades.






