Ensaio Total: Alfa Romeo Junior Elettrica Veloce 280
Ainda que já o tivesse conduzido durante meia dúzia de quilómetros por ocasião de um evento da Alfa Romeo, a variante topo de gama do Junior, o 100% elétrico Elettrica Veloce de 280 cavalos andava a escapar-me. E agora que já o devolvi, já se escapou de novo. Porém, guardo da sua passagem pela Garagem excelentes memórias e impressões. Foi quase uma semana de convivência e de olhares indiscretos, muitos por cima do ombro, ao deixá-lo estacionado à porta de casa.


Um Alfa Romeo, elétrico e desportivo
É mais um crossover, podem muitos de vocês dizer (eu também o digo muitas vezes, assumo), mas a Alfa Romeo precisava deste tipo de modelo, temos de reconhecer. E visualmente, perdoem-me, também, a frontalidade: está tremendamente bem conseguido. Se tivesse a possibilidade de ter uma wallbox para carregamento em casa, este Elettrica Veloce assentava-me que nem uma luva. Esqueçam lá esse trauma com os elétricos e aplaudam-se as muitas opções atualmente disponíveis, inclusivamente entre os desportivos.


É um crossover, repito, mas nesta configuração é mais baixo e mais largo. É um Alfa Romeo que resulta das sinergias da Stellantis, é um Alfa Romeo de conquista de novos clientes, partilhando a plataforma e outros componentes com diversos modelos das marcas do grupo e talvez por isso os ditos “Alfistas” não o aprovem totalmente. Porém, embora a diferenciação estilística seja óbvia entre todos os modelos do grupo, nenhum combina elegância e emoção como o Junior. Muito menos com todos estes contrastes, muito menos com estas estupendas jantes de 20 polegadas. Tem presença e faz virar muitas cabeças, garanto-vos. Não é “tão Alfa Romeo” como um Giulia? Talvez não o seja, mas e depois?
Os números e as sensações
Com 280 cavalos e 345 Nm de binário imediatamente disponíveis debaixo do pé, o Veloce despacha a aceleração de 0 a 100 km/h em menos de 6 segundos e atinge uma velocidade máxima de 200 km/h. Mas as sensações são bem mais marcantes do que estes números. E tudo porque a “Alfa” apetrechou este Junior com vias mais largas, barras estabilizadoras específicas, uma direção muito rápida, suspensão rebaixada, diferencial autoblocante e travões dianteiros com pinças de quatro pistões e discos de 380 milímetros. O resultado? Um dos compactos desportivos mais rápidos, divertidos e ágeis da atualidade.


Bancos soberbos
A posição de condução é perfeita, provando que tal é possível mesmo quando debaixo está uma grande bateria, sendo também assegurada pelos estupendos bancos da Sabelt. Volumosos? Sim, são bastante, retirando ainda mais centímetros ao já “apertado” espaço no banco traseiro, mas o que importa isso no mais especial dos Junior? Tal como o conforto, que neste Veloce é bastante inferior ao das restantes versões e do qual não sentimos falta em momento algum. Ah, os consumos? Rondam os 17 kWh/100 km se conduzirmos com alguma moderação. Menos é possível, mais é fácil. Foi quase sempre mais.


A potência abunda, mas não assusta. Não só pela progressividade da aceleração, como pela tremenda capacidade de tração, assegurada pela muita borracha Michelin disponível, bem como pelo contributo do autoblocante, puxando o eixo da frente para o interior da curva quando a física habitualmente o empurra para fora. Ainda no eixo dianteiro, elogie-se a direção, muito precisa e tão rápida que pouco ângulo de volante é necessário para colocar as rodas da frente onde queremos.
Pesado, mas leve
Estável e seguro nas rápidas, ligeiro e divertido nas lentas, o Junior despacha curvas como os melhores desportivos do seu segmento, com a diferença que, habitualmente, estes não escondem uma pesada bateria na sua plataforma. Sim, o centro de gravidade é reduzido e, sim, o Junior Veloce nem é excessivamente pesado para um elétrico. Mas com cerca de 1.600 kg de peso, o brilhantismo das suas capacidades dinâmicas é ainda mais merecedor dos meus elogios. Não faço ideia onde o esconderam, mas esse peso não se “vê”.


Porém, que não fique a ideia de que este Junior só se coloca entre os melhores se isso for tido em conta. Não. Nada disso. Esqueçamos, por momentos, o facto de ser elétrico e, assim, naturalmente mais pesado: o Junior Veloce é um tremendo desportivo compacto. Um dos melhores. Só isso. É ajustável, não se importa de ser provocado e se soubermos viver com alguma firmeza de suspensão, está perfeitamente ajustado a uma utilização quotidiana a ritmos moderados. O problema é só mesmo esse, resistir a subir o ritmo. Ah, e o problema do preço: esta unidade custa 54.100 euros. Um “Alfa” diferente, mas um “Alfa” soberbo. Mais um.






