Jeep Avenger 4xe The North Face. Tudo o que importa saber
Ainda que em configuração de tração dianteira, sem quaisquer pretensões de se destacar em ambiente fora de estrada, a verdade é que o Avenger, o mais pequeno dos Jeep, permite alguma liberdade de utilização quando o alcatrão acaba. Comprovei-o na sua apresentação nacional, bem como nos dois ensaios que se seguiram, primeiro em configuração 100% elétrica e, posteriormente, equipado com motorização híbrida, mostrando-se quase tão à vontade num divertido caminho de terra batida como a serpentear por entre o trânsito citadino.
O que muda no 4xe
Porém, com a chegada da sigla 4xe à gama Avenger, essa capacidade ganhou agora um novo significado e dimensão, fruto, principalmente, da tração integral eletrificada. Para além do motor 1.2 Turbo, a gasolina, e do motor elétrico integrado na caixa de dupla embraiagem de 6 velocidades que já conhecíamos do Avenger e-Hybrid, o 4xe adiciona uma pequena máquina elétrica, de potência igual à da frente – 28 cavalos – no eixo traseiro. Graças à uma relação de redução 22,7:1, a Jeep garante que o binário disponível equivale a 1.900 Nm. No total, estão disponíveis 145 cv e 230 Nm, números suficientes para 194 km/h de velocidade máxima e uma aceleração de 0 a 100 km/h em 9,5 segundos.


Mas as diferenças para os restantes Avenger não se ficam por aqui. Outra evolução diz respeito à suspensão traseira, aqui de geometria multibraços, permitindo um melhor controlo dos movimentos das rodas, melhor conforto de rolamento e, acima de tudo, uma maior articulação da suspensão, muito útil em terrenos acidentados. Os ângulos para todo-o-terreno foram também melhorados (ângulos de ataque de 22°, ventral de 21° e de saída de 35°) e o 4xe conta igualmente com uma superior altura livre ao solo, mais 10 milímetros do que as demais versões da gama para um total de 210 mm. A capacidade de passagem a vau é de 400 mm e os pneus 215/60 R17 são adequados a lama e neve.
Como funciona?
Segundo a Jeep, a configuração de tração integral do Avenger 4xe permite-lhe vencer inclinações de até 40% sobre superfícies mais desafiantes ou até 20% quando o eixo dianteiro não dispõe de qualquer aderência. E tudo é gerido de forma autónoma. Até aos 30 km/h, a tração às quatro rodas é permanente, com uma repartição 50:50. A velocidades médias, de 30 a 90 km/h, a tração do eixo traseiro só é ativada quando solicitada. O motor elétrico mantém-se, no entanto, ligado às rodas, respondendo de forma imediata se necessário e com uma distribuição de binário definida em função das exigências. Acima dos 90 km/h o motor elétrico sai de cena para reduzir o consumo.


Os modos de condução
O Avenger 4xe permite ainda, através da função Selec-Terrain, que o condutor possa escolher uma configuração que melhor se adapte às condições do piso a enfrentar. Assim, para além do modo Auto, no qual o Avenger proporciona tração integral apenas quando necessário, sendo o modo ideal para a condução no quotidiano, estão ainda disponíveis outros três: Snow, com configurações específicas do controlo de estabilidade e da tração integral inteligente para circular sobre superfícies escorregadias; Sand & Mud, adaptado a terrenos irregulares, com intervenção no funcionamento da caixa de velocidades e do controlo de tração; Sport, o modo que maximiza a potência e o binário do sistema 4xe, reforçado pelo “boost” elétrico nas rodas traseiras.
Ao volante
Os desafios fora de estrada colocados ao Avenger 4xe neste ensaio estiveram bem longe de o deixar desconfortável, mas proporcionaram, também por isso, boas conclusões, pois em momento algum, ao atravessar algumas valas e ao percorrer caminhos menos simpáticos, me senti, também eu, fora do meu terreno. A superior articulação da suspensão traseira ficou de imediato bem patente nos pequenos cruzamentos de eixos enfrentados, onde normalmente outros modelos veem umas das suas rodas perder contato com o solo, dificultando a sua progressão.


A bordo, o 4xe proporciona mais paz de espírito para enfrentar os obstáculos do dia a dia, as muitas lombas que por aí proliferam e também as nossas estradas amplamente degradadas por um inverno rigoroso. O benefício do novo esquema de suspensão do 4xe é também aqui óbvio, sendo este o Avenger mais confortável e refinado da gama. A bagageira, neste 4xe, perdeu um pouco de espaço, passando de 380 para 325 litros, mas mais problemática é a ausência de uma roda suplente, a qual, curiosamente, teria sido usada neste ensaio, não em ambiente fora de estrada, mas sim em plena autoestrada.
O melhor Avenger de todos
Este é, para mim, o melhor Avenger da gama. Anda mais, é mais confortável e refinado e vai onde os outros Avenger não vão. O consumo foi também exatamente o mesmo que registei no ensaio à versão híbrida de tração dianteira, 5,7 litros/100 km, ou seja, a tração integral, através de uma maior dose de eletrificação, adicionou capacidade sem com isso retirar eficiência.


Falta-lhe, como disse, a roda sobressalente, infelizmente, um defeito que a tantos automóveis posso apontar, e a bagageira é também algo reduzida. Mas ambos são problemas fáceis de resolver com recurso às barras de tejadilho, pois no caso de uma viagem mais prolongada, basta ali colocar uma plataforma de transporte e instalar a roda e a bagageira adicional, beneficiando, ainda mais, um visual de aventura que, nesta edição limitada The North Face, com imensos detalhes exteriores e interiores específicos, celebra isso mesmo, a liberdade de ir mais longe.






