Ensaio Total: Audi A6 Limousine e-hybrid quattro 270 kW
Não tenho por hábito comentar as soluções estilísticas dos automóveis que conduzo. Posso gostar, posso não gostar, mas isso nada mais é do que uma opinião pessoal, não sendo válida a aplicação de adjetivos como bom ou mau numa análise que é, logo à partida, plena de subjetividade. Mas permitam-me, uma vez mais, dizê-lo: o Audi A6 é um automóvel lindíssimo. Poucas silhuetas batem a elegância de uma grande berlina – a esta só lhe falta um milímetro para os cinco metros – mais ainda quando conseguem ainda incorporar alguma desportividade nas suas linhas. Este é um bom exemplo disso, de estilo sóbrio, mas, ao mesmo tempo, assertivo.

Gama Audi tem agora dois A6
O modelo A6 divide-se agora, na era da eletrificação, em duas versões distintas na gama da Audi: o de “sempre”, construído com base plataforma PPC, equipado com motorizações Diesel eletrificadas ou com propulsores híbridos plug-in, a gasolina, disponível em carroçaria de quatro portas ou como uma station wagon no A6 Avant; e os novos A6 e-tron, 100% elétricos, também disponíveis como berlina, um notchback de cinco portas, e também como Avant, produzidos com base na plataforma PPE. Depois de conduzida a versão exclusivamente alimentada a bateria, em silhueta Avant, regressei agora ao A6 para o testar equipado com a motorização híbrida plug-in na variante berlina.


O propulsor e-Hybrid, nesta configuração topo de gama, disponibiliza 367 cavalos e 500 Nm de binário, números que resultam da combinação de um motor 2.0 litros a gasolina com 252 cavalos/380 Nm e um motor elétrico de 143 cavalos/350 Nm. A máquina elétrica está integrada na caixa de velocidades de dupla embraiagem e é alimentada por uma bateria com 25,9 kWh de capacidade, dos quais 20,7 são utilizáveis, mais 45% do que a geração anterior. A Audi declara uma autonomia elétrica de 105 quilómetros em ciclo combinado, mas neste ensaio não foi possível percorrer mais do que 80 quilómetros, com uma média de consumo de eletricidade de 23 kWh/100 km. A regeneração de energia pode ser ajustada através das patilhas no volante em dois níveis distintos, sendo também possível desligá-la por completo ou usar o bem calibrado modo automático.
Falta carregamento com corrente contínua
Depois de esgotada a energia na bateria, o sistema passa a funcionar em modo híbrido e, como seria de esperar, os consumos passam a ser menos simpáticos. Um híbrido plug-in deve ver a sua bateria ser carregada regularmente, mas no caso de tal não ser possível, esperem-se neste A6 consumos entre os 8 e os 9 lt/100 km, números que, considerando a potência disponível e um peso acima das duas toneladas, até surpreendeu pela positiva. Ainda no que diz respeito à bateria, curiosamente, esta só pode ser carregada através de corrente alternada até 11 kW, isto quando modelos de segmento inferior dentro do Grupo Volkswagen já suportam carregamento rápido a 50 kW DC. Assim, esperem-se cerca de 2 horas e 30 minutos para carregar a bateria na sua totalidade.
Modos de condução
É possível forçar o modo de propulsão pretendido, elétrico ou híbrido, desde que o nível de carga da bateria assim o permita, no caso do primeiro. O sistema permite igualmente reservar carga na bateria para usar no destino ou, por outro lado, usar o motor de combustão para forçar o seu carregamento, neste caso, limitado a 75% do nível de carga a fim de potenciar a eficiência. No que diz respeito a modos de condução, estão disponíveis quatro, Efficiency, Dynamic, Comfort e Individual, este último, como é habitual, totalmente personalizável, sendo possível variar a configuração de parâmetros como a assistência da direção, a firmeza e altura da suspensão, os assistentes de condução e o Audi Virtual Cockpit. Nesta mais recente geração, a Audi “afastou” as afinações dos vários modos, sendo as diferenças agora mais notórias.


Direção e tração integrais
Algo que os A6 e-tron não podem ter e que os A6 e-hybrid dispõem de série é o sistema de quatro rodas direcionais, o qual permite que as rodas traseiras virem no sentido contrário ao das dianteiras a baixas velocidades e no mesmo sentido a velocidades superiores a 60 km/h, favorecendo, respetivamente, a manobrabilidade – menos 1 metro no diâmetro de viragem – e a estabilidade. A tração integral quattro está também presente, garantindo adaptabilidade às condições do piso e também que toda a potência passe efetivamente ao piso, ajudando a gerir todo o impulso do propulsor, bem notório a partir dos baixos regimes graças ao contributo elétrico. Não me foi possível cronometrar, mas a Audi declara uma aceleração de 0 a 100 km/h em apenas 5,3 segundos. A velocidade máxima é de 250 km/h, sendo que no modo elétrico é possível atingir os 140 km/h.
Controlado e preciso, confortável e refinado
A suspensão pneumática (opcional) é outro dos pontos altos da experiência, garantindo um elevado nível de filtragem das irregularidades do piso e proporcionando o sempre agradável efeito de “tapete voador” na sua afinação mais branda, fazendo do A6 um tremendo rolador e devorador de grandes distâncias, mesmo se equipado com jantes de 21 polegadas e pneus de baixíssimo perfil de medida 255/35. Subindo-se o ritmo, é igualmente possível desfrutar de uma afinação mais firme e baixa, reduzindo-se o centro de gravidade e aumentando o controlo das deslocações de massa (e há muita para controlar, diga-se). Não tendo verdadeiras aspirações desportivas, é possível andar muito depressa graças à combinação de potência, tração, controlo e estabilidade do A6 e-hybrid.


Por dentro
O habitáculo é um excelente sítio para se estar, seja em que lugar for. Num A6, dificilmente se esperaria outra coisa, com uma escolha de materiais e uma qualidade de construção de elevadíssimo nível. À frente, e já que abordei anteriormente o Audi Virtual Cockpit, este é aqui composto por um conjunto de três ecrãs digitais, com o passageiro da frente a dispor de uma superfície tátil dedicada que lhe permite aceder a algumas funcionalidades. Na porta do condutor acumulam-se numa só consola os controlos das luzes, retrovisores, janelas e bancos. Aprovo, igualmente, os acabamentos em tecido no tablier e portas, idêntico ao dos bancos. Para quem, como eu, não aprecia estofos em pele, uma grande berlina como este A6 com estofos em tecido é uma verdadeira lufada de ar fresco.


Atrás, o espaço disponível para pernas e cabeça permite viajar em grande conforto, mas o A6 está claramente pensado para transportar apenas dois passageiros no banco traseiro. Isto porque o lugar central é prejudicado pelo túnel do veio de transmissão, bem como pelo desenho do encosto. O refinamento a bordo é tremendo, com a Audi a avançar uma melhoria de 30% em termos de isolamento acústico. A bagageira é, no entanto, prejudicada pela eletrificação, contando com pouca altura livre e dispondo de apenas 354 litros de volume. Infelizmente, por ali, também não existe um compartimento dedicado a receber os sempre volumosos cabos de carregamento.


Um Audi A6 com preço de seis dígitos
Por fim, o preço, número que, no caso desta variante mais potente do A6 e-hybrid “arranca” em redor dos 84.770 euros. Porém, para ter na garagem um A6 como este, com Pacote edition one, Pacote Tech Pro e uma lista de equipamento opcional quase tão longa como ele próprio, com elementos como o teto panorâmico em vidro com transparência comutável, a suspensão pneumática, as jantes Audi Sport ou o sistema de som Bang & Olufsen 3D Premium, é preciso desembolsar 110.170 euros. Um grande automóvel, em todos os sentidos.






