Ensaio Total: Polestar 3 Long Range Single Motor
A Polestar é uma daquelas marcas com as quais simpatizo desde o primeiro dia. Aprecio o design dos seus automóveis e a imagem de marca que conseguiu construir paralelamente à Volvo, símbolo de onde deriva enquanto divisão desportiva, uma impressão muito positiva que só tem vindo a intensificar-se a cada ensaio que faço aos seus produtos. Até parece, admito, que a Polestar me pagou para fazer esta introdução, mas garanto-vos que este meu comentário é meramente pessoal, tendo por base a minha experiência com a marca sueca nos últimos anos.
Em ordem inversa à dos seus lançamentos, depois do Polestar 4, conduzi recentemente o Polestar 3, um SUV assumido com 4,9 metros de comprimento e quase 3 metros de distância entre eixos. Mesmo neste discreto, mas muito bonito, tom de azul, o Polestar 3 não passa despercebido, impondo-se pela dimensão, mas também pelas linhas inconfundíveis da carroçaria. Neste capítulo, destaque para os defletores de ar incorporados na dianteira, na extremidade do capot, bem como na traseira, no final do tejadilho, contribuindo para o bom coeficiente aerodinâmico de 0,29. Ainda no que ao exterior diz respeito, também os puxadores retráteis ajudam na eficiência aerodinâmica, mas o sistema de destrancamento de portas através da passagem do cartão-chave não se revelou uma solução muito prática. Felizmente, é possível fazê-lo de outras formas, como através do smartphone.



No interior, o estilo minimalista adotado não será surpresa para ninguém que acompanhe os lançamentos da Polestar e mesmo com um ambiente predominantemente escuro como o desta unidade, o habitáculo é um excelente sítio para se estar. Com a distância entre eixos referida, quase nem há comentários a fazer relativamente ao espaço oferecido no banco traseiro, podendo-se contar com muitos centímetros livres em todas as direções. A bagageira é enorme, dispondo de 507 litros de volume, espaço que é ainda complementado pelo compartimento inferior de 90 litros e pelo “frunk” com 32 litros adicionais. Assim, espaço de arrumação é coisa que não falta no Polestar 3.


Em linha com a depuração de elementos supérfluos no interior, a maior parte das funções e comandos estão incorporados no infotainment, reduzindo, e de que maneira, a presença de botões. A definição do display de 14,5 polegadas é elevada e o grafismo habitual da Polestar garante uma utilização clara e intuitiva da muita informação disponível, mas como é tendência também noutros modelos, parece-me exagerado incluir ali o acesso às regulações dos retrovisores e também a abertura do porta-luvas. Botões para o condutor controlar os vidros traseiros são também substituídos por um que permite usar os dos vidros da frente para o fazer. Porém, o Polestar 3 compensa estes “cortes”, com, por exemplo, um útil atalho para os desembaciadores dianteiro e traseiro colocado no plaffonier.


Passando para o lugar do condutor, a posição de condução é muito boa e a leveza dos principais comandos contribuem para as muito boas sensações ao volante, com os quase 5 metros de comprimento e mais de 2 metros de largura a “encolherem-se” para tornar a condução do “3” um exercício fácil e agradável, como se de um automóvel mais compacto se tratasse. Esta versão, Long Range Single Motor, é talvez a mais interessante para o nosso mercado, onde o clima raramente justifica ter disponível tração integral, mas combinando autonomia com uma dose de potência mais do que adequada. O motor elétrico traseiro disponibiliza 299 cavalos e 490 Nm, números que conseguem levar as 2,4 toneladas de 0 a 100 km/h em 7,8 segundos. A velocidade máxima é de 180 km/h.



Ao volante, como referi acima, tudo muito fácil. Pé no travão, selecionar Drive no manípulo, bem posicionado atrás do volante, e o Polestar 3 está pronto a iniciar viagem. Com a grande bateria de 111 kWh, a marca declara uma autonomia WLTP de 706 quilómetros para esta versão e a verdade é que, com um consumo médio de 17,7 kWh/100 km, não fiquei assim tão longe, com uma autonomia máxima, em teoria, de cerca de 630 quilómetros. Nota positiva para a regeneração de energia: enquanto outros modelos se perdem em muitos níveis de recuperação de energia, o “3” tem os três modos de que precisamos: “Off” para rolar livremente em autoestrada, uma configuração “One Pedal” para usar em cidade e um nível “intermédio”, lá está, para situações intermédias.


Não sendo um SUV de aspirações desportivas – para isso existe a variante Long Range Dual Motor com Pack Performance, com 517 cv e 910 Nm – a verdade é que este grande Polestar 3 tem um comportamento bastante ágil, conseguindo esconder, até certo ponto, o seu peso ao curvar. E ainda que não conte com a suspensão pneumática ativa das variantes equipadas com dois motores, a suspensão passiva conta com amortecedores cuja força varia consoante a frequência das irregularidades, bem como com batentes hidráulicos, conseguindo assim uma certa dose de ajustabilidade que permite manter um nível de conforto muito adequado para o dia a dia. Os excelentes bancos dão também um grande contributo para o conforto a bordo.

Gostei bastante mais do Polestar 3 do que à partida pensava que iria gostar. Nunca duvidei da sensação de qualidade e do refinamento geral da experiência, mas a sua dimensão “preocupava-me”, tendo abordado este teste com a ideia pré-concebida de que, dinamicamente, sentir-se-iam os efeitos do peso, o qual prejudicaria, também, a média final de consumo energético. Porém, não podia estar mais enganado. O Polestar 3 revelou um dinamismo pouco comum neste segmento e com uma média final bem abaixo de 20 kWh/100 km, também me surpreendeu pela eficiência. A versão ensaiada, Long Range Single Motor, é proposta em Portugal por um preço a partir de 83.400 euros, estando atualmente em vigor um desconto de 7.838 euros que coloca o preço base nos 75.562 euros.






