Ensaio Total: Volkswagen T-Roc 1.5 eTSI 116 cv DSG Life
O T-Roc fechou o ano de 2025 como o modelo mais vendido da Volkswagen na Europa, o terceiro automóvel preferido dos condutores europeus. É, a par de nomes como o Tiguan e o Golf – quarto e quinto classificados, respetivamente, do ranking europeu do ano passado – um dos pilares mais importantes do construtor alemão, símbolo que liderou 2025 na Europa com mais de 1,2 milhões de unidades e uma quota de mercado de 11,3%.


Atualizar um modelo com esta importância é sempre um momento de grande responsabilidade para uma marca, mas se há nome com experiência nesse âmbito, é a Volkswagen, principalmente, mas não só, devido à experiência acumulada ao longo de oito bem-sucedidas gerações do eterno Golf. O “nosso” T-Roc goza, assim, desse know-how acumulado e continua, nesta segunda geração, a nascer na Autoeuropa, em Palmela, onde no ano passado foram produzidas 240.400 unidades do SUV lançado originalmente em 2017. No total, já se fabricaram mais de 2 milhões de T-Roc.
Em equipa que ganha…
Exteriormente, deu-se uma evolução e não, felizmente, uma revolução. Mais moderno e atual, alinhado estilisticamente com os mais recentes lançamentos da Volkswagen, mas indiscutivelmente um T-Roc. O novo design, mais dinâmico, com um capot mais horizontal e um terceiro pilar mais inclinado, foi igualmente acompanhado de uma melhoria da aerodinâmica, com a Volkswagen a avançar mais 10% de eficiência de penetração no ar. Ainda no que diz respeito a estilo exterior, e num comentário mais pessoal, considero que este amarelo assenta-lhe que nem uma luva, elevando os contrastes com os elementos em preto da carroçaria e conferindo-lhe personalidade (e sim, é a cor da Garagem, também aprovo por esse motivo).
Mais ergonómico
Por dentro a evolução é ainda mais notória, com a digitalização é assumir um maior destaque, bem como as linhas horizontais, as quais dão sempre um contributo positivo para a sensação de espaço. A unidade ensaiada, de nível de equipamento Life, conta com algumas zonas nas portas e no tablier forradas a tecido, contribuindo para uma melhor impressão a nível de qualidade dos materiais aplicados, muitos deles de origem sustentável. A ergonomia foi também alvo de melhorias. Neste aspeto, destaco boas soluções como os manípulos de abertura de porta, o controlo rotativo do volume na consola central e o reposicionamento do controlo da transmissão, agora na coluna de direção.


Habitabilidade superior
Em termos de dimensões, o T-Roc está agora 122 milímetros mais comprido e conta com uma distância entre eixos que é também 39 mm superior. Os benefícios são notórios no espaço disponível para pernas ao viajar no banco traseiro, mas também na bagageira, agora com 475 litros de volume, mais 30 litros do que a geração anterior. Em termos de versatilidade, importa referir a presença do útil piso amovível, com o qual é possível ajustar a altura de carga em dois patamares e criar, com o rebatimento do encosto, um plano de carga sem degraus. Ainda no que diz respeito ao conforto do banco traseiro, importa também mencionar dois aspetos, um bom e um menos bom, respetivamente: o assento é bem desenhado, suportando as pernas; o túnel central é muito elevado.


Mais agilidade sem comprometer o conforto
Passando à condução, o T-Roc deu um salto significativo em termos de agradabilidade e refinamento, sendo imediatamente notória a evolução e a sensação de que estamos num produto de nova geração. O comportamento dinâmico não entusiasma, pois não é esse o propósito do T-Roc, mas sentimo-nos agora mais ligados aos comandos, com um acerto de suspensão que garante um “pisar” mais competente e um controlo de massas mais eficaz, sem comprometer aquilo que mais importa num SUV para uma pequena família usar no seu dia a dia, o conforto. As jantes de 17 polegadas, de série neste T-Roc Life, são também importantes para esta avaliação, sendo de dimensão ajustada e calçadas com pneus Hankook de medida 225/55, com perfil adequado aos maus-tratos que o piso degradado lhes incute.


Chega, mas não sobra
Debaixo do capot esconde-se o motor 1.5 litros Turbo de quatro cilindros, a gasolina, que serve de base a inúmeras motorizações do grupo, sem eletrificação e com eletrificação, sejam mild hybrid, híbridas plug-in e, no futuro, full hybrid, tecnologia muito aguardada que o “português” T-Roc terá inclusivamente honras de estrear. Este “BZ-59-VT” que a Volkswagen Portugal me cedeu está equipado com a variante mild hybrid de acesso, eTSI de 116 cv. Ainda que chegue perfeitamente para aquilo a que habitualmente chamamos de “utilização normal”, a verdade é que “chega, mas não sobra”, pelo que quem aprecia uma maior disponibilidade de potência, por exemplo, para efetuar uma ultrapassagem, talvez seja melhor ponderar o investimento adicional de cerca de 2750 euros e assim optar para variante de 150 cv que, aposto, pouca diferença terá em termos de consumos.


Consumos quase sempre abaixo de 7 lt/100 km
Nesta vertente, o T-Roc fechou o ensaio com o computador de bordo a mostrar uma média final em ciclo combinado de 6,7 litros por cada 100 km percorridos. Em autoestrada, espere-se, obviamente, um pouco mais, mas a média raramente subiu dos 7 lt/100 km. O propulsor mild hybrid 48 V merece também nota positiva pela suavidade com que o motor térmico se desliga e volta a acordar, um processo que é, muitas das vezes, praticamente impercetível. Através do infotainment é também possível optar um modo automático ou por uma configuração de intensidade de regeneração de energia mais fraca, a funcionalidade que permite acumular a energia numa bateria e desligar, pontualmente, o motor a gasolina, ativando-se o modo “vela” no qual o T-Roc desliza sem qualquer consumo de combustível.


Mais “automóvel”
A evolução pode até parecer, aos mais distraídos, pouco significativa, mas o T-Roc é um Volkswagen de nova geração, um produto bastante superior ao bem-sucedido modelo original que substituiu. Estilisticamente, continuando a ser, sem sombra de dúvidas, um T-Roc, está agora muito mais apelativo. A nível mecânico, é o primeiro modelo da marca exclusivamente proposto com opções eletrificadas, algo que a geração anterior nunca teve. Por dentro, está mais digital, mais espaçoso, mais versátil e, acima de tudo, ao volante, é mais eficiente e sente-se mais refinado. O T-Roc cresceu, pois é agora um pouco maior, mas também “cresceu” em personalidade e carácter, sempre jovial e dinâmico, mas claramente mais maduro e experiente, uma combinação que vale pontos no segmento mais importante do mercado.
Preços Volkswagen T-Roc
- Desde 33.592 euros
- Unidade ensaiada: 38.733 euros (opcionais: pintura bicolor Amarelo Canary/Preto; Pacote Inverno – 1.122 euros)






