Ensaio Total: Audi Q3 Sportback e-Hybrid
Não precisei de muito tempo ao volante da terceira geração do Q3 para me aperceber de que, visualmente, a Audi acertou em cheio. Muitos olhares indiscretos e até uma breve conversa com um transeunte mais curioso sobre como configurei muito bem o “meu” novo Q3 Sportback com as belíssimas jantes Audi Sport de 20 polegadas e a bonita cor Verde Salva. Agradeci, repus a verdade e a terceira geração do SUV e a forma bem conseguida como a Audi o desenhou continuou a ser motivo de conversa.

O Q3 está, na verdade, significativamente diferente. Cresceu em comprimento e em largura, mas está ligeiramente mais baixo, o que poderá limitar o espaço em altura, mas beneficia, claramente, o visual desportivo deste “SUV coupé”. São menos 29 milímetros de altura em relação à silhueta SUV convencional, pelo que os passageiros mais altos no banco traseiro sentirão a diferença. Já a distância entre eixos praticamente não mudou relativamente à geração anterior, importa dizê-lo. Na dianteira, como é hábito na Audi, destaca-se a grande dimensão da grelha e, como principal novidade, as luzes diurnas separadas dos faróis principais, posicionados mais abaixo, com tecnologia LED Matrix e com desempenho excelente, transformando a condução noturna, literalmente, da noite para o dia.
Por dentro
A bordo, o salto estilístico, bem como qualitativo e tecnológico, é também inquestionável. O nível de qualidade dos materiais empregues e da sua montagem é elevado, sensação que se prolonga aos lugares traseiros. A posição de condução é excelente e ao volante salta à vista a nova solução para o comando dos piscas, escovas e luzes de máximos do lado esquerdo, acumulados numa só consola, e, à direita, outro comando para controlo da transmissão, substituindo as mais comuns hastes. Primeiro estranha-se, depois entranha-se. O duplo ecrã digital domina as atenções e acumula, como é hábito, a maior parte das funções. Funciona bem, mas nada bate a consola com botões físicos e rotativos que a Audi costumava usar.


Aceder ao banco traseiro, não sendo um problema para os mais pequenos, podia ser um exercício mais fácil para os passageiros mais altos. A porta é pequena e já lá dentro há apenas espaço suficiente para dois adultos, com as limitações já referidas para os mais altos. O assento é bem desenhado e proporciona bom suporte às pernas nas laterais, mas o lugar do meio não é aconselhável para grandes viagens, não existindo a bordo largura suficiente para três, sendo que o túnel central é também muito volumoso. Por ali não faltam espaços de arrumação e as janelas, embora pequenas, abrem na totalidade, o que se agradece.


A bagageira do Q3 Sportback oferece 488 litros de volume nas variantes sem carregamento externo, mas a este e-Hybrid são-lhe “roubados” mais de 100 litros de volume, dispondo de “apenas” 375 litros de espaço. Não limita demasiado a sua utilização, mas a diferença, feitas as contas, é considerável. Felizmente, o banco traseiro pode ser ajustado longitudinalmente, permitindo variar o espaço disponível para passageiros ou carga consoante a necessidade. Rebatendo-se o encosto do banco traseiro, cria-se uma plataforma de carga sem interrupções, sempre útil para quando é preciso transportar volumes mais pesados. Debaixo do piso há ainda algum espaço utilizável.

Ao volante
Uma grande evolução surge debaixo do capot, com o Q3 Sportback a tirar proveito da nova geração de propulsores híbridos plug-in do grupo, agora capaz de percorrer mais de 100 quilómetros em modo 100% elétrico graças à bateria de 19,7 kWh de capacidade útil. A Audi declara 118 quilómetros de autonomia elétrica, mas neste ensaio, com utilização intensiva da climatização, só foi possível percorrer 95 quilómetros antes de o motor a gasolina ser chamado a intervir. Propositadamente, não carreguei a bateria – pode ser feito através de posto DC até 50 kW – e utilizei o Q3 em modo híbrido para averiguar o consumo de combustível nestas condições, tendo conseguido uma média de 7,9 l/100 km em percurso misto.



Em modo elétrico, está disponível uma potência máxima de 115 cv e 330 Nm de binário, números mais do que ajustados à utilização quotidiana que um Q3 normalmente enfrenta. Porém, combinando-se as vertentes térmica e elétrica, ambos os valores se tornam mais expressivos, com 272 cv e 400 Nm capazes de o acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 6,8 segundos. Tivesse este Q3 tração quattro e o número seria ainda mais baixo. A Audi trabalhou também na suspensão para garantir um comportamento mais dinâmico e a verdade é que, apesar dos 1.900 kg que pesa, o Q3 surpreende pela agilidade e envolvimento que proporciona, sem que a experiência se torne demasiado desconfortável.

A evolução relativamente à geração anterior é significativa e a superior qualidade global, maior dose de digitalização e, acima de tudo, a eficiência melhorada com a introdução da nova geração de propulsores PHEV, justifica, em parte, um preço de venda ao público de 54.357 euros. Porém, para que o teu Q3 Sportback fique tão bonito e tão bem equipado como o “meu”, terás de desembolsar cerca de 27.800 euros adicionais. É um automóvel de argumentos inquestionáveis, mas mesmo considerando a qualidade, equipamento, potência e eficiência que oferece, custa aceitar que um SUV compacto possa custar, no nosso mercado faminto por impostos, 82.167 euros.






