Ensaio Total: Aion V Premium
A chegada da chinesa GAC a Portugal – cuja representação nacional é da responsabilidade do Grupo JAP – fez-se com este Aion V, um SUV 100% elétrico de 4,6 metros de comprimento cujo design, ainda que longe de poder ser apelidado de arrojado, revela alguns elementos originais que são suficientes para o diferenciar da concorrência, com modelos esteticamente muito aproximados. O Aion V, sem entusiasmar (noutra cor fica bem melhor, em azul, por exemplo), consegue ter o que muitos outros não têm: personalidade.


No interior, não há outra forma de o dizer, o Aion V impressionou. E começo pelo mais impressionante de tudo, o espaço no banco traseiro, abundante em todas as direções, principalmente em comprimento. Por ali falta, no entanto, alguma inclinação ao assento para proporcionar um melhor suporte às pernas, mas com tanto espaço, dá até para as cruzar. O encosto também pode ser regulado através de patilhas colocadas nas laterais e graças a um piso totalmente plano, é possível acomodar três passageiros, sendo que o do meio só não viaja em mais conforto devido ao encosto algo rijo que esconde o apoio de braço. As portas são gigantes e abrem a praticamente 90 graus. Aceder ao banco de trás é tão fácil como abrir a porta e entrar em casa.
A bagageira conta com porta com abertura elétrica e dispõe de 427 litros de capacidade, espaço que pode ser expandido até 978 litros com o rebatimento do encosto do banco traseiro. O piso pode ser ajustado em duas alturas, solução que permite criar um plano de carga ininterrupto, perfeito para colocar objetos longos ou pesados. Debaixo deste, está ainda disponível um espaço para colocar uma roda sobressalente. Menos boa é a fixação da chapeleira, cujos suportes aplicados nos encostos de cabeça parecem ter sido uma solução de recurso.



Passando aos lugares dianteiros, salta imediatamente à vista uma seleção de materiais de boa qualidade que é, na verdade, extensível aos lugares traseiros. A sensação geral no habitáculo é, até, algo premium, todo ele muito bem acabado e agradável. No tablier faltam, como é atualmente moda, comandos físicos, estando a maior parte das funções integradas no ecrã tátil central de 14,6”. O painel de instrumentos é pequeno e, por esse motivo, também o são alguns dos caracteres. Estão disponíveis vários espaços de arrumação, mas, curiosamente, o Aion V não dispõe do vulgar porta-luvas à frente do passageiro dianteiro.
Está apenas disponível uma motorização elétrica na gama, a qual combina uma máquina elétrica de 204 cv e 240 Nm, colocada no eixo dianteiro, com uma bateria de química LFP e 75,3 kWh de capacidade. A Aion declara uma autonomia de 510 km segundo o ciclo WLTP, mas com uma média de consumo em ciclo misto a rondar os 17 kWh/100 km neste teste, é mais seguro antecipar uma autonomia real na casa dos 450 quilómetros. Em termos de reposição de energia, o Aion V suporta carregamento rápido DC até uma potência máxima de 180 kW ou, em alternativa, por exemplo com recurso a uma wallbox, até 11 kW em AC. A gama inclui dois níveis de equipamento, Premium e Luxury, sendo que ambos contam de série com tecnologia V2L para alimentar equipamentos elétricos a partir da bateria de tração.


Ao volante, de dois braços e desenho bonito, destaca-se imediatamente o bom nível de conforto oferecido, claramente, e ainda bem, a prioridade do SUV da Aion, orientado para o quotidiano em família e pontuais viagens maiores em que o carregamento não seja um problema. O isolamento acústico é bastante bom, facto ao qual não é alheia a presença de vidros duplos à frente. Subindo-se o ritmo, é notória a pouca firmeza da suspensão, ainda que esta seja sempre capaz de manter todo o conjunto sob controlo. A velocidade máxima é de 160 km/h.
Estão disponíveis três modos de condução, os habituais “conforto”, “desportivo” e “poupança”, mas aqui complementados por uma configuração adicional que potencia a eficiência ao reduzir o desempenho do sistema de climatização (equipado com bomba de calor, de série em ambos), bem como ao limitar a velocidade máxima a 90 km/h. No que diz respeito a níveis de regeneração de energia, é possível defini-la (apenas nos modos de condução “conforto” e “desportivo”) também segundo três níveis – desligado, fraco e médio – não existindo um modo que permita conduzir com recurso em exclusivo ao pedal do acelerador.


No que diz respeito aos assistentes de condução, considero-os excessivamente nervosos. O alerta de velocidade interrompe constantemente o som da música e se olharmos para o velocímetro para garantir que vamos a 50 km/h e não a 51, intervém o sistema de atenção do condutor, gerando alerta e, adivinharam, interrompendo a música. Em autoestrada, por exemplo, o sistema lê por vezes os sinais de velocidade aplicáveis às saídas, de 80 ou 60 km/h, e continua a gerar alertas sonoros ao continuarmos na via a circular abaixo dos 120 km/h aplicáveis. Excessivo e, claramente, merecedor de calibração. Dei por mim a desligar tudo.
Ainda assim, não são assistentes de condução chatos e demasiado interventivos, e muito menos um porta-luvas que faltou à chamada ou uma curiosa fixação de chapeleira, que mancham a boa avaliação do Aion V. Materiais de qualidade, uma extensa lista de equipamento de série e níveis de habitabilidade e conforto elevados destacam-se num produto cujo preço é também um argumento de peso. A versão de acesso Premium está disponível por 40.990 euros e o topo de gama Luxury custa 42.490 euros. Eu apontava ao Premium, pois não sou particularmente fã de estofos em couro, não preciso de frigorífico de bordo (sim, leste bem) e nestes quatro dias de ensaio, não senti falta de nada neste Aion V.






